Jorge Bouça Nova, da Federação Nacional dos Galgueiros, revelou que a associação que representa não tem conhecimento de herdades que promovam corridas ilegais de galgos ingleses. Além disso, não há maneira de fiscalizar se os galgos que participam em corridas estão ou não dopados, uma vez que não há legislação sobre o tema.

Bouça Nova revelou ainda que a FNG já contactou a Autoridade Anti-Dopagem de Portugal quanto a este assunto, mas a resposta que obteve foi que se trata de um desporto amador, sem rentabilidade e sem volume de apostas relevante, pelo que não vale a pena regulamentar a questão do doping.

Sandra Duarte Cardoso discordou de Jorge Bouça Nova quanto à maneira de identificar se um galgo é inglês ou não. A veterinária e ativista da SOS Animal diz que há vários fenótipos e genótipos a ter em conta que só com testes de ADN é que podem ser despistados.

Garcia Pereira reconhece que Portugal tem das legislações mais antigas a proibir violência contra animais, mas a figura da incriminação só surgiu em 2014. O advogado considera que o legislador parece deixar de fora os factos relacionados com a utilização de animais para "fins de espetáculo, comerciais ou outros fins legalmente previstas".

Já Inês Sousa Real, deputada eleita do PAN, revela que há municípios que autorizam corridas de cães com base num diploma que se aplica a concurso e exposições, sem uma norma especfica para as corridas de cães. Nesse sentido, devido a esse vazio legal, tal norma não deve ser aplicada e foi nesse sentido que o PAN apresentou, na última legislatura, um projeto-lei para proibir as corridas de galgos, que acabou chumbado na Assembleia da República.

Gonçalo Graça Pereira, presidente do Colégio Europeu do Comportamento Animal, contou que é muito difícil perceber se um galgo foi ou não vítima de abuso emocional.

Cristina Gonçalo, da Kate Friends, partilhou a experiência dos últimos 27 anos no resgate e adoção de galgos. A ativista revelou que o resgate de galgos abandonados é bastante difícil, porque têm medo e não se aproximam das pessoas. Essa aproximação tem de ser gradual e com outros galgos. Cristina Gonçalo apresentou Jack, um galgo que resgatou e que está acostumado a fazer esta "terapia da aproximação".

Sónia Costa contou a sua experiência com Óscar, um galgo inglês que conseguiu resgatar. O galgo estava psicologicamente muito afetado, apesar de andar bem outras pessoas. A primeira fase foi muito complicada, mas já evoluiu bastante, já anda à vontade com Sónia e o marido, mas não ainda com outras pessoas, porque ganhou confiança com o casal.

Segundo Sónia, no início estava habitaudo a andar à trela e com o casal. Mais tarde, só saía de casa arrastado, punha o focinho para baixo e não queria sair de casa. Óscar costumava bloquear porque estava em stress e ainda hoje tem uma microfissura numa das patas, habitual em galgos de corrida e muito dificl de tratar.