Maria Davidachwili e Mariana Fonseca, segurança e enfermeira acusadas de matar e depois esquartejar um jovem, no Algarve, estão há cerca de um ano em prisão preventiva.

Os factos são de março do ano passado e as duas jovens foram detidas em abril. A defesa de Maria Davidachwili começa o julgamento com o resultado de uma perícia psiquiátrica feita à arguida para ajudar a defesa e o próprio coletivo de juízes a perceber quem é a jovem. 

A acusação diz que as duas mulheres planearam a morte de Diogo Gonçalves para lhe ficarem com 70 mil euros. Maria terá primeiro sedado a vítima e depois asfixiado, apertando-lhe o pescoço. Mariana apenas terá assistido a tudo, mas terão sido as duas a envolver o corpo em sacos de plástico.

Antes, Maria terá retirado os dedos do polegar e indicador da mão direita para conseguirem depois desbloquear, com a impressão digital da vítima, o telemóvel e assim acederem aos códigos das contas bancárias. 

O cadáver ficou na bagageira do carro cerca de 24 horas. Na madrugada de dia 22, Maria tê-lo-á divido em várias partes e a maior porção do corpo foi lançada ao mar na zona de Sagres. 

Mais tarde, a cabeça, as mãos e os pés foram atirados para uma nascente em Tavira. Foram as duas jovens que relataram ao pormenor os factos quando foram ouvidas após a detenção. 

Na fase de instrução requerida pela arguida Mariana, a versão foi a mesma, mas ao contrário: mudou o depoimento que tinha feito, quando foi detida, para dizer que atuou e participou nos factos porque estava a ser influenciada pela companheira. Versão que não colheu uma vez que o juiz pronunciou nos exatos termos da acusação. 

A gravidade geral dos factos é gigante e absolutamente esmagadora. Inexistem palavras para descrever os crimes em causa. Estamos perante factos absolutamente hediondos e que se mostram macabros, (...) a frieza das declarações das arguidas assusta e choca, (...). As arguidas pernoitavam normalmente sabendo que tinham um corpo na bagageira do carro; tinham consigo um polegar e um indicador (...) desmembraram o corpo numa garagem e abandonaram-no em sítios diferentes", afirmou João Sousa, consultor forense da defesa.

As duas jovens, que até há dois meses partilhavam a mesma cela na cadeia de Tires, vão ser julgadas em Portimão, por homicídio qualificado, profanação de cadáver, entre outros crimes. Arriscam uma condenação de 25 anos, a pena máxima em Portugal.

Inês Pereira