As autoridades estão preocupadas com a violência praticada na noite, de norte a sul do país.

Em entrevista à TVI24, o porta-voz da Direção Nacional da PSP, Intendente Nuno Carocha, começou por explicar que a "violência na noite não está a aumentar". Nuno Carocha fez uma comparação relativamente ao número de queixas feitas em 2018 e 2019 (época pré-pandemia) e reforçou que "há menos casos registados", mas que também poderá haver explicações para um número menor de denúncias. 

O intendente deixou claro que há dois fatores que não são possíveis de controlar: "Por um lado estamos em processo de desconfinamento. O regresso à vida normal, abre a porta à criminalidade. Podemos ainda não ter atingido valores de anos anteriores devido a essa gradualidade. Por outro lado, as vítimas nem sempre apresentam denúncia, o que é fundamental para a reação da PSP", revelou.

Os atos de extrema violência que têm sido tornados públicos nos últimos dias têm sido motivos que levam à "preocupação da polícia", referiu.

Muitas vezes são crimes de oportunidade", disse Carocha, dando como exemplo o caso do homem que, embriagado, foi espancado por um grupo em Lisboa para lhe ser roubado um isqueiro e um relógio.

Outro tipo de criminalidade é a de exibicionismo, referiu o intendente, dando desta vez como exemplo o caso do espancamento de um jovem de 23 anos no morto, que resultou na sua morte. Lembre-se que o jovem foi agredido na via pública, à porta de uma discoteca na Baixa do Porto e acabou por não resistir à gravidade dos ferimentos.

Foi claramente prática de exibicionismo. Há um jovem que não teve qualquer contacto com a vítima e que o vem socar porque alguém do grupo faz uma queixa. É algo que começa a caracterizar um segmento", continuou.

O porta-voz da Direção Nacional da PSP explicou que todo o ambiente de violência que se tem vivido está a provocar "claro sentimento de insegurança", levando as autoridades a monitorizar finamente este processo de desconfinamento no sentido de "perceber se há tendências que vieram para ficar ou se, com a abertura de todos os espaços de diversão noturna, essas tendências vão desaparecer" uma vez que o regresso à vida normal abriu uma porta à criminalidade, apontou.

"A PSP tem estado muito presente na rua, mas obviamente que não conseguimos estar em todos os sítios", disse.

Segurança suspenso "tem de ser escrutinado"

O segurança privado que no início do mês agrediu um cliente numa discoteca, em Albufeira, foi suspenso pela Polícia de Segurança Pública (PSP). As imagens foram reveladas pela TVI24 e mostram um cliente a ser brutalmente agredido. Após comunicado da PSP e questionado sobre a situação, Nuno Carocha disse que o "cidadão mostrou alguns comportamentos que têm de ser melhor escrutinados".

Era portador de dois títulos de segurança privada: um de segurança-porteiro e um de vigilante. O de segurança-porteiro, propusemos a suspensão total. Pode continuar a ser vigilante, mas em locais sem qualquer contacto com público", rematou.

Associação de Discotecas pede mais policiamento

O presidente da Associação de Discotecas Nacional defendeu esta quarta-feira um reforço de policiamento para resolver os problemas da noite, como os que têm sido registados e pediu para ser ouvido pelo Governo.

Ainda não ouvimos o Ministério da Administração Interna [MAI] pronunciar-se relativamente a estes acontecimentos. Não ouvimos ninguém do Estado a vir falar sobre estas situações", disse o presidente da Associação de Discotecas Nacional (ADN).