O retalho pode reduzir um terço do desperdício alimentar na sua cadeia de abastecimento, concluiu um estudo esta sexta-feira divulgado pela consultora BCG, em parceria com a Sonae e o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável.

O documento inclui o relatório “Uma receita para reduzir a perda e o desperdício de alimentos”, onde são propostas cinco medidas para reduzir as perdas ao longo da cadeia de distribuição, que, se aplicadas, podem levar à redução de um terço do desperdício.

De acordo com o estudo, estima-se que todos os anos sejam desperdiçados cerca de um terço de todos os alimentos produzidos, o que “representa 1,6 mil milhões de toneladas de alimentos a nível global e mais de 1 milhão em Portugal, com elevados custos a nível ambiental e social”.

Este estudo, que envolveu cerca de 120 fornecedores da Sonae, identificou as 50 melhores práticas já adotadas ou em estudo em outros países.

Assim, concluiu-se que a aplicação das medidas propostas levaria a que fossem desperdiçadas menos 12 mil toneladas de alimentos por ano na cadeira de abastecimento da Sonae.

Isto representaria também a geração de um valor de 10 milhões de euros por ano, entre poupanças e novas oportunidades de negócio, para os vários participantes na cadeia de abastecimento.

Se aplicadas a todo o setor, as medidas podem levar à redução de 50 mil toneladas de desperdício alimentar todos os anos.

O estudo verificou que cerca de 40% do desperdício se deve à rejeição de frutas e vegetais que não cumprem com os requisitos estéticos e de tamanhos ou calibres definidos.

Desta forma, uma das medidas sustentáveis propõe que se reveja estes requisitos, tornando mais amplo o leque de produtos considerados aceitáveis, promovendo até a exploração de outros nichos de mercado, como, por exemplo, as “maçãs bebés” para crianças.

Outra conclusão do documento foi que uma parte significativa dos alimentos nunca chegam ao consumidor final pelo seu caráter altamente perecível.

Neste caso, uma das soluções passa por criar unidades de desidratação para reaproveitar estes alimentos que podem ser consumidos secos.

Outras medidas são a promoção do aumento das doações, a criação de um ‘marketplace’ onde os produtores podem mostrar os alimentos perecíveis que têm disponíveis e que, passado o ponto de utilização, podem ser usados para sumos, corantes naturais ou outros produtos processados e a campanha “Demasiado Bom Para Desperdiçar”, que visa incentivar os consumidores a uma mudança de comportamento, procurando, por exemplo, peças soltas, sobre as quais habitualmente não recai a escolha.

O estudo conjunto que fizemos com a Sonae e com o WBCSD [sigla inglesa para Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável] prova que a adoção de práticas sustentáveis de redução do desperdício alimentar ao longo da cadeia de abastecimento do retalho são ‘win-win’, beneficiando tanto a população em geral, por um acesso gratuito ou a preços reduzidos a alimentos bons e perfeitamente adequados ao consumo em plenas condições de segurança e qualidade, como os próprios participantes na cadeia de valor”, refere, em comunicado, o ‘managing director & senior partner’ da BCG Lisboa e coautor do estudo, Miguel Abecassis.

/ HCL