Mais de 230 mil crianças ficaram de fora do programa europeu de distribuição de fruta, legumes e leite nas escolas no ano passado, quando Portugal usou apenas 1,7 milhões dos 5,5 milhões atribuídos pela União Europeia.

Duas vezes por semana, o lanche de todas as crianças do 1.º ciclo deveria incluir uma peça de fruta ou um legume, segundo o programa europeu destinado a criar bons hábitos alimentares e a combater a obesidade infantil.

No entanto, no ano passado, apenas 104.506 alunos beneficiaram desse projeto, segundo os dados preliminares do relatório anual divulgado agora pela União Europeia, que revelam que 230.938 crianças (69%) ficaram de fora.

O programa de educação alimentar deveria ter chegado aos 335.444 alunos do 1.º ciclo, indica o relatório, que alerta para o facto de os jovens portugueses estarem entre os europeus com maiores problemas de obesidade e de consumirem legumes e fruta muito abaixo do recomendado pelas organizações de saúde.

Além da distribuição de fruta e leguminosas, o programa europeu prevê também a distribuição diária de leite por todas as crianças do pré-escolar até ao final do 4.º ano de escolaridade.

A União Europeia destinou, no ano passado, 5,5 milhões de euros para estes dois projetos, mas só foram usados 1,7 milhões, segundo o relatório anual divulgado esta semana pela União Europeia, que voltou a anunciar para o próximo ano uma nova verba de mais 5,5 milhões de euros.

Ao contrário do projeto da fruta, a distribuição diária de pacotes de leite abrange a grande maioria dos alunos: no ano passado, receberam pacotes de leite 119.464 crianças do pré-escolar (97,2%) e 332.407 do 1.º ciclo (99%). Ou seja, ficaram de fora 6.381 crianças.

A União Europeia atribuiu cerca de 657 mil euros para o programa da fruta e legumes e 1.045 mil euros para o leite. Resultado: os restantes 3,8 milhões do programa criado para incentivar as crianças a comer mais frutas e hortícolas nunca chegaram a Portugal.