Há mais um restaurante português com duas estrelas Michelin: Alma, do chef Henrique Sá Pessoa, em Lisboa, foi reconhecido, nesta quarta-feira, passando de uma para duas estrelas.

Foi o único restaurante a conseguir duas estrelas, sendo que nenhum obteve a distinção máxima, ou seja, três estrelas.

O Alma, situado no boémio e turístico Chiado, criou uma muito boa impressão junto dos inspetores. O 'chef' Henrique Sá Pessoa cativou-os com uma proposta muito técnica, divertida e repleta de matizes. Cada pedaço levou-os a viajar no tempo e no espaço, graças aos sabores tradicionais e autênticos, que transportam para paragens mediterrâneas ou de outras latitudes”, refere a Michelin, no comunicado oficial distribuído durante a gala.

Recebe ainda a primeira estrela (‘uma cozinha de grande fineza, compensa parar’) o Midori, em Sintra (chef Pedro Almeida), sendo o primeiro restaurante de cozinha japonesa em Portugal a receber uma distinção do ‘guia vermelho’, como destaca a Michelin.

Em Portugal, os inspetores “encontraram pepitas de ouro gastronómicas em locais por vezes insólitos e isolados”, refere a empresa, apontando os exemplos dos outros dois restaurantes que alcançam a primeira estrela: o G Pousada, em Bragança, dos irmãos Óscar e António Gonçalves, que “valoriza a cozinha moderna da região de Trás-os-Montes”, e o restaurante A Cozinha, em Guimarães, “onde o 'chef' António Loureiro surpreendeu com uma cozinha moderna, que demonstra equilíbrio e sensibilidade”.

Na edição do próximo ano do Guia Michelin da Península Ibérica, Portugal passa a contar, no total, com seis restaurantes com duas estrelas e vinte com uma estrela.

Além das novidades, em 2019, Portugal mantém todas as distinções anteriores e continua a não ter nenhum restaurante com a classificação máxima (três estrelas, ‘uma cozinha única, justifica a viagem’).

Em Portugal há ainda dois novos “Bib Gourmand” (boa qualidade/preço abaixo dos 35 euros por refeição) – a Tasca do Zé Tuga (Bragança) e Avenida (Lagos).

O diretor internacional dos guias Michelin, Gwendal Poullennec, afirmou que “Portugal tornou-se num destino turístico de referência e boa parte desse êxito assenta no auge da sua gastronomia”.

É certo que a cozinha tradicional lusa sempre contou com o beneplácito do público estrangeiro. Sem dúvida, hoje temos a confirmação de um vigoroso impulso na alta gastronomia deste país, habitualmente a cargo de uma geração de jovens chefs”, considerou.

No total, Portugal contém, no guia de 2019, 167 restaurantes referenciados, dos quais 36 são Bib Gourmand e 105 estão distinguidos como Prato Michelin (‘uma cozinha de qualidade’), além dos 26 com estrelas Michelin. Constam ainda 165 hotéis e turismos rurais.

Esta é a lista dos restaurantes portugueses distinguidos pelo Guia Michelin em 2019:

Uma estrela:

A Cozinha (Guimarães, chef António Loureiro) – novidade

Antiqvvm (Porto, chef Vítor Matos)

Bon Bon (Carvoeiro, chef Louis Anjos; Rui Silvestre saiu no início do ano)

Casa de Chá da Boa Nova (Leça da Palmeira, chef Rui Paula)

Eleven (Lisboa, chef Joachim Koerper)

Feitoria (Lisboa, chef João Rodrigues)

Fortaleza do Guincho (Cascais, chef Gil Fernandes; Miguel Rocha Vieira saiu este mês)

G Pousada (Bragança, chef Óscar Gonçalves) – novidade

Gusto by Heinz Beck (Almancil, chef Daniele Pirillo)

Henrique Leis (Almancil, chef Henrique Leis)

LAB by Sergi Arola (Sintra, chef Sergi Arola e Vlademir Veiga - Milton Anes saiu em março)

L'AND Vineyards (Montemor-o-Novo, chef Miguel Laffan)

Largo do Paço (Amarante, chef Tiago Bonito)

Loco (Lisboa, chef Alexandre Silva)

Midori (Sintra, chef Pedro Almeida) – novidade

Pedro Lemos (Porto, chef Pedro Lemos)

São Gabriel (Almancil, chef Leonel Pereira)

Vista (Portimão, chef João Oliveira)

William (Funchal, chefs Luís Pestana e Joachim Koerper)

Willie's (Vilamoura, chef Willie Wurger)

Duas estrelas:

Alma (Lisboa, chef Henrique Sá Pessoa) – novidade

Belcanto (Lisboa, chef José Avillez)

Il Gallo d'Oro (Funchal, chef Benoît Sinthon)

Ocean (Alporchinhos, chef Hans Neuner)

The Yeatman (Vila Nova de Gaia, chef Ricardo Costa)

Vila Joya (Albufeira, chef Dieter Koschina)

Berasategui alcança 10 estrelas

O chef basco Martín Berasategui aumentou hoje para dez o total de estrelas Michelin, ao ver distinguidos mais dois dos seus restaurantes em Espanha no Guia Michelin ibérico de 2019, que atribuiu três estrelas ao restaurante Daní García.

Em Espanha, a Michelin atribuiu três estrelas (‘uma cozinha única, justifica a viagem’) ao restaurante Daní Garcia, do chef com o mesmo nome, em Marbella (sul), totalizando 11 restaurantes com a distinção máxima, mantendo-se o número de 2018, já que, em outubro, Carme Ruscalleda encerrou o Sant Pau, em Barcelona, que sai assim da lista dos ‘tri-estrelados’ no país vizinho.

“Os inspetores do guia fizeram questão de destacar que Dani García obteve a mais alta distinção graças à sua forma única de reformular a cozinha andaluza numa nota contemporânea, fazendo com que cada elaboração narre uma história diferente, com base num produto que se conjuga com a tradição local”, justifica a Michelin, sobre a atribuição das três estrelas a este restaurante da Andaluzia, o único da Península Ibérica que merece este galardão na edição do próximo ano.

Num comunicado distribuído esta noite, a empresa refere ainda que os inspetores “gostaram particularmente do jogo de contrastes, fiel à teoria do chef da ‘cozinha contradição’, assim como da montagem de boa parte dos seus pratos”.

Na categoria de duas estrelas (‘uma cozinha excecional, vale a pena o desvio’), são três as novidades no país vizinho: Cocina Hermanos Torres (Barcelona), El Molino de Urnániz (Urdaitz) e Ricard Camarena (Valência).

A primeira estrela (‘cozinha de grande fineza, compensa parar’) foi entregue a 22 restaurantes espanhóis, entre os quais o eMe Be Garrote (San Sebastián) e Oria (Barcelona), ambos de Martin Berasategui, com o guia a assinalar que este chef “incorpora dois estabelecimentos na sua espetacular lista de restaurantes com estrelas, chegando, deste modo, a dez estrelas Michelin”.

Berasategui, que abriu recentemente o seu primeiro restaurante em Portugal (Fifty Seconds, em Lisboa), é o chef com mais estrelas em Espanha – detinha, até agora, oito (três no restaurante com o seu nome, no País Basco; três no Lasarte, em Barcelona; e duas no M.B., em Tenerife).

Segundo o diretor do guia Espanha e Portugal, José Vallés, “este ano, a seleção chama a atenção para os novos estabelecimentos abertos por chefs já consagrados, que, através da sua experiência, os conduziram à distinção gastronómica”.

Por outro lado, a Michelin salienta “o notável aumento de restaurantes com estrelas em Madrid” como “outro facto a destacar nesta edição”, assinalando que “a diversidade é um dos sinais de identidade da cena gastronómica desta cidade”.

Além disso, a empresa destaca “a aparição de novos enclaves de interesse gastronómico, como a Costa Branca, na província de Alicante, uma região que aposta na alta cozinha sem romper com a tradição”.

Quanto a estrelas suprimidas na edição de 2019, apenas há novidades do lado espanhol: além das três estrelas do Sant Pau, devido ao encerramento do restaurante, há dois restaurantes que perdem as duas estrelas – Dos Cielos (Barcelona), porque fechou, e El Club Allard, que desce para uma estrela. Dez restaurantes perdem a estrela que tinham, seis por encerramento ou mudança de local e os restantes por terem baixado a qualidade, na opinião dos inspetores.

No total, o guia de 2019 tem, no que diz respeito a Espanha, 1.447 restaurantes referenciados: 11 com três estrelas, 25 com duas e 170 com uma. Há 248 restaurantes Bib Gourmand (boa relação qualidade/preço), sendo 20 novos, e 879 com a distinção Prato Michelin, que designa uma ‘cozinha de qualidade’, dos quais 91 são entradas novas. Há ainda 672 hotéis e turismos rurais espanhóis no guia ibérico.