Uma eventual explosão na central nuclear de Almaraz, em Espanha, a pouco mais de 100 quilómetros da fronteira com Portugal, obrigaria à «progressiva» retirada da população da zona de Portalegre, segundo explicou esta terça-feira um responsável dos serviços de socorro.

A central nuclear de Almaraz, na Província de Cáceres, funciona desde o início dos anos 80 junto ao Rio Tejo e faz fronteira com os distritos portugueses de Castelo Branco e Portalegre.

O responsável do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Portalegre, Belo Costa, explicou à agência Lusa que, em caso de explosão na central nuclear de Almaraz, o «primeiro passo» seria «pré-avisar as populações para uma retirada à medida da evolução do problema».

Belo Costa deu como exemplo o que se está a passar no Japão, na zona da central nuclear de Fukushisma, em que as autoridades estão a proceder à evacuação à medida que a situação se vai agravando.



No Japão, os ciclos de evacuação estão a evoluir à medida que as coisas se agudizam. Inicialmente era um ciclo de evacuação relativamente pequeno e neste momento vai nos 30 quilómetros. Ora se o ciclo de evacuação chegar aos 30 quilómetros em Almaraz ainda nem sequer chegava à fronteira portuguesa», observou.

Em caso de acidente grave na central de Almaraz, Belo Costa lembrou que os primeiros passos seriam dados pelas autoridades espanholas e que, em caso de explosão, o distrito de Portalegre, à partida, não seria «muito afectado», graças aos «ventos predominantes». De acordo com o responsável, o distrito de Castelo Branco seria «muito mais afectado».

Belo Costa explicou ainda que outro dos passos dado pelas autoridades portuguesas seria desenvolver um plano de descontaminação junto das pessoas e das águas do Rio Tejo.

O secretário de Estado da Energia, Carlos Zorrinho, garantiu esta terça-feira que Portugal e Espanha possuem sistemas de informação permanente e planos de emergência para um eventual acidente na central nuclear de Almaraz.
Redação / PB