Foi divulgado nesta segunda-feira o maior relatório de sempre da ONU sobre alterações climáticas, com cenários devastadores para a Humanidade, naquele que será, para a associação ambiental portuguesa Zero, o "último aviso dos cientistas".

O documento de hoje será provavelmente o último aviso da comunidade científica mundial sobre os efeitos das emissões de gases de estufa e consequentes alterações climáticas, antes do planeta se encaminhar para um aumento de temperatura superior a 1,5 ºC", diz a Zero, em comunicado.

Para a associação, as perspetivas de futuro, um futuro que é próximo, "são avassaladoras".

Os últimos seis anos foram os mais quentes desde que há registos históricos (desde aproximadamente 1850). Em 2020 os oceanos atingiram a sua temperatura mais elevada. Os incêndios, as inundações e as condições meteorológicas extremas dos últimos meses são apenas sinais do que se pode esperar", aponta.

A Zero defende, também, que "os governos não podem ignorar os avisos" dos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla original)

Apesar de um esforço de muitos países ou grupos de países como a União Europeia, ainda não existem planos de ação que mantenham o aquecimento global abaixo dos limites supostamente seguros. Continuamos a adiar uma ação climática urgente que já era necessária desde há décadas atrás e agora estamos quase sem tempo", sublinha.

Para a Zero, o último relatório da ONU "é mais decisivo", uma vez que "reforça a conclusão de que os anos 20 deste século serão uma década crucial em que as emissões de gases de efeito estufa devem ser reduzidas a metade para limitar o aquecimento a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais".

As alterações climáticas estão a causar extremos climáticos amplificados, desde secas, ondas de calor, incêndios florestais, inundações a supertempestades, impactes que são cada vez mais intensos, frequentes e sem precedentes. Se as emissões continuarem a aumentar, ocorrerão impactes climáticos cada vez mais severos. A sociedade humana que conhecemos foi construída num clima que não existe mais, pelo que é crucial trabalharmos na mitigação climática (redução de emissões), mas também na adaptação climática", alerta, ainda.

A associação ambiental apela, por isso, ao corte de emissões "muito mais rapidamente".

É hora de acabarmos com a nossa dependência de gás natural, carvão e petróleo e investir em empregos verdes e na construção de um futuro com zero carbono com toda a urgência."

Catarina Machado