60 por cento dos mais de 70 mil portugueses que sofrem de Alzheimer, doença que consiste no agravamento progressivo e irreversível das funções cerebrais, tende a ausentar-se inesperadamente e a perder-se, sem noção do local onde se encontra e até do próprio nome.

Para evitar o duplo problema, para os familiares e para as autoridades locais, uma vez que desde a identificação do doente até ao reencontro com a família o processo enfrenta várias dificuldades, sobretudo devido à perda de memória do próprio, uma equipa de portugueses da Amaze desenvolveu o projecto «Rumo Seguro», que tem a colaboração da Alzheimer Portugal.

«Tentámos fugir aos sistemas de geolocalização, que colocam em causa os direitos e liberdades dos cidadãos, mas procurámos ser igualmente eficazes. Para isso, idealizámos um objecto de uso pessoal, seja uma pulseira ou um fio com uma medalha, com o logo do programa e um número verde e gratuito para onde nos podem contactar», explicou Luís Duarte, responsável pelo projecto, ao PortugalDiário.

Para aderir, o cuidador do doente tem de preencher um formulário e pagar uma inscrição de 50 euros que dura três anos: «Quando um cidadão encontra uma pessoa desorientada e a acompanha até ao posto da GNR ou da PSP mais próximo, o objectivo é que as autoridades reencaminhem para nós o código individual que estará no objecto e nós iremos acelerar o processo até que essa pessoa regresse a casa.»

15 chamadas por dia para esclarecimentos

Desde a apresentação do «Rumo Seguro», a 10 de Dezembro de 2008, até hoje, foram inscritas 100 pessoas, mas, segundo Luís Duarte, «até ao final de 2009 serão cinco mil». «Felizmente, ainda não aconteceu nenhum caso de um doente totalmente perdido, somos mais contactados para dar esclarecimentos nas cerca de 15 chamadas que recebemos por dia», revelou.

Para que o projecto tenha efectivamente sucesso, é necessário que as autoridades estejam devidamente informadas sobre o seu modo de funcionamento. Fonte da PSP adiantou ao PortugalDiário que a força policial «está a trabalhar no sentido de uma eventual parceria» com a Amaze e que «está agendada para Março uma reunião para perceber as mais-valias do projecto».

A mesma fonte, sem referir números concretos, apontou que «os casos de doentes com Alzheimer perdidos não são poucos e há muitas dificuldades em resolvê-los, pelo que quanto mais iniciativas destas melhor».

INEM quase preparado, bombeiros e farmácias também

Fonte do INEM disse ao PortugalDiário que «o despacho para a parceria ainda tem de ser aprovado pelo Conselho Directivo», mas «o presidente já garantiu que esta é uma questão importante».

Sem adiantar prazos, a mesma fonte referiu que, admitindo a aprovação, «será posteriormente a direcção médica a contactar com as equipas para que estas tenham conhecimento do programa».

Luís Duarte assegurou ainda que os bombeiros e as farmácias já começaram a ser informados do projecto, para que futuramente, quando confrontados com doentes perdidos, possam identificar facilmente o código.

O PortugalDiário contactou ainda a GNR, mas não foi possível obter informações sobre uma eventual colaboração.