O grupo de jovens que interrompeu o discurso do primeiro-ministro, na segunda-feira, explicou, em entrevista à TVI24, que o protesto teve motivações ambientais. Dois representantes dos manifestantes, que pretendem continuar no anonimato, garantiram que mais protestos por causa da construção do novo aeroporto no Montijo estão para vir.

“Estamos a falar de um acordo que foi assinado e que quase duplicar os movimentos aéreos em Lisboa e trazer 50 milhões de passageiros [à cidade]. O que quisemos dizer é que isto é absolutamente incompatível com os esforços que o Governo diz fazer para a descarbonização da economia e de proteger a vida neste planeta”.

Os manifestantes, que insistiram em manter o anonimato, justificando que “os nomes não são tão importantes - o importante é a mensagem”, garantiram que o ato de interrupção do 46.º aniversário do PS não se prendeu com política.

A mensagem que estávamos a passar é importante para nós, para os filhos daquelas pessoas”, disse um dos jovens.

“Não tem nada a ver com o Partido Socialista, nem com nenhum partido. É necessário começar a agir no que toca às alterações climáticas”.

Para além disto, os dois entrevistados afirmaram que estão preocupados com a construção do aeroporto naquela área, porque é um local essencial para a migração de aves e que não houve um estudo de impacto ambiental. Acusaram ainda a multinacional Vinci Airports, responsável pelo empreendimento, de “lucrar com a destruição do habitat do Tejo”.

O movimento, que garantem ser completamente pacífico, promete continuar e avizinham-se novas manifestações. Os dois jovens entrevistados pela TVI24 acrescentaram ainda que há duas páginas de Facebook associados às manifestações: Extinction Rebellion Portugal e Rebeldes Pela Vida.

O movimento pretende alinhar-se com outros protestos pelo ambiente a nível internacional, como as manifestações pelo clima em Londres, nas quais mais de 800 pessoas foram detidas pela polícia.