As águas negras poluídas regressaram ao rio Tejo a partir da zona de Vila Velha de Rodão, denunciam a Quercus e o movimento ProTejo, sublinhando um ressurgimento de focos de poluição “semelhante aos incidentes que ocorreram entre 2015 e 2018”.

Em entrevista à TVI, o vice-diretor da Quercus, Nuno Sequeira, afirma que esta situação é “preocupante” e que tem persistido ao longo dos últimos dias.

Não sabemos a origem, mas ao que conseguimos observar a partir do local, tudo indica que estas águas sejam consequência da falta de tratamento dos efluentes no Rio Tejo”, sublinha Nuno Sequeira. 

 

Numa carta aberta enviada ao Ministério do Ambiente, que ainda não teve resposta, a ProTejo pretende saber se as novas licenças de rejeição de efluentes emitidas estão a ser cumpridas, nomeadamente, a da empresa Celtejo, “no sentido de adequar as condições de descarga do efluente tendo em atenção as condições de qualidade e quantidade das águas do rio Tejo”. 

É precisamente o fraco caudal do Rio Tejo que amplifica e potencia estes focos de poluição hídrica que os especialistas têm verificado desde o fim de maio. 

O Tejo tem sido muito massacrado e o fraco caudal evidencia com mais clareza as mudanças no rio. Estamos a falar de um rio que é o ganha pão de muita gente”, afirma Nuno Sequeira.

 

As consequências deste evento podem vir a ter repercussões muito graves para o futuro das comunidades que dependem do maior rio de Portugal para sobreviver.

Estamos a falar do setor do turismo rural, da pesca, dos desportos náuticos. Todos estes vão ser afetados por esta poluição e por todos os riscos associados”, explica o especialista, destacando que a poluição pode gerar problemas respiratórios e dermatológicos nas populações ribeirinhas.

 

Perante esta situação, o movimento ProTejo acredita que se observam os requisitos necessários para a adoção de um “período excecional mais restritivo das condições de descarga do efluente”, tendo em atenção as condições de qualidade e quantidade do meio recetor. Este período deve ser imposto por via de uma notificação da Agência Portuguesa do Ambiente.

Também o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR foi informado e espera-se dos agentes “uma atuação muito firme”. Até porque a chegada do verão é sinónimo de uma redução ainda maior do caudal do Tejo.