A organização ambientalista Zero defendeu hoje a declaração por parte do Governo do “estado de emergência climática”, seguindo um pedido nesse sentido do secretário-geral da ONU.

O secretário-geral das Nações Unidas pediu hoje a todos os líderes mundiais que declarem estado de emergência nos seus países até que consigam atingir a neutralidade carbónica.

A propósito deste pedido, em comunicado, a Zero lembra que a Assembleia da República aprovou no ano passado por unanimidade uma recomendação ao Governo para declarar o estado de “emergência climática”, e diz esperar “que esta intenção venha agora a concretizar-se”.

A ZERO reconhece o esforço do Governo relativamente a um conjunto de políticas tendentes à neutralidade climática por agora prevista para 2050, mas considera que a par de uma Lei do Clima, cuja discussão se deverá iniciar nas próximas semanas na Assembleia da República, a declaração do estado de ‘emergência climática’ pelo Governo deve fazer-nos lembrar que, apesar da grande crise atual de saúde pública, a maior ameaça deste século com custos dramáticos para todos os portugueses e para toda a humanidade e o planeta, em particular para as próximas gerações, são as alterações climáticas”, salienta a organização no comunicado.

No mesmo documento a associação considera positivo o aumento do apoio aos países em desenvolvimento para a luta contra as alterações climáticas (20 milhões de euros na próxima década, anunciou o Governo) mas considera o montante ainda assim insuficiente.

Ainda a propósito das alterações climáticas, a Zero revela no comunicado que os Estados Unidos ganharam o prémio “fóssil”, distinções pela negativa que tradicionalmente são atribuídos por associações ambientalistas aos países que mais bloqueiam os avanços das negociações sobre o aquecimento global.

Os prémios são atribuídos por votação das 1.300 organizações da sociedade civil de 130 países que fazem parte da Rede Internacional do Clima (Climate Action Network), e que desde 1999 votam por altura das conferências anuais do clima das ONU.

Os Estados Unidos ganharam o “prémio” “Fóssil Colossal de Cinco Anos”, além de outro prémio fóssil por “Não Fornecer Financiamento e Apoio”. A Austrália e o Brasil também foram distinguidos pela negativa.

Este mês devia realizar-se a cimeira sobre o clima da ONU em Glasgow mas foi adiada por um ano devido à pandemia de covid-19. Em vez dela, quando se comemoram cinco anos sobre a assinatura do Acordo de Paris sobre o clima, está a decorrer uma cimeira online de Ambição Climática, organizada pela ONU em parceria com o Reino Unido, França e Itália.

Na abertura da cimeira, António Guterres reiterou que o mundo "ainda não está a ir na direção certa" para travar as alterações climáticas e que poderá estar a caminho de "um aumento de temperatura catastrófico de mais de três graus neste século".

Apelo a todos os líderes mundiais para declararem estado de emergência climática nos seus países até que se atinja a neutralidade nas emissões de dióxido de carbono. Já houve 38 países que o fizeram. Imploro a todos os outros que os sigam", declarou.

/ BC