A organização ambientalista Quercus considera dececionante a cimeira da ONU sobre o clima (COP25) que terminou este domingo, em Madrid, e diz que “o Acordo de Paris pura e simplesmente está morto”.

Já outra associação ambientalista, a ANP-WWF, diz que a COP25 não só falhou como andou para trás nos compromissos assumidos no Acordo de Paris de 2015.

A cimeira do clima terminou este domingo em Madrid sem grandes resultados, nomeadamente sobre o mercado de carbono, tema sobre o qual se esperava um acordo.

A Lusa ouviu a propósito as organizações ambientalistas Quercus e ANP-WWF.

A Quercus, pela voz de um dos dirigentes, João Branco, aponta o dedo aos países que mais contribuíram para a falta de resultados palpáveis, como os Estados Unidos, a Austrália ou o Brasil, mas também à União Europeia, que “não tem aplicado a diplomacia para o sucesso das COP e o sucesso do combate às alterações climáticas”.

E João Branco dá um exemplo: o acordo que a União Europeia está a negociar com o Mercosul (mercado comum de países da América do Sul, Brasil incluído), “que na prática prevê a destruição de áreas da Amazónia e do Cerrado (área especialmente de savana) e um aumento do consumo de carbono no transporte de alimentos para a Europa”.

É por isso que, diz João Branco, “há uma política de duas caras”, porque esse acordo com o Mercosul não vai permitir que os países sul-americanos cumpram as metas do Acordo de Paris.

“É uma hipocrisia defender uma coisa uma vez por ano na COP e no resto do ano trabalhar nesses acordos de comércio”, afirmou, lamentando que na verdade o dióxido de carbono na atmosfera continue a aumentar, que continue a aumentar o consumo de combustíveis fósseis, que continuem os investimentos em prospeções e perfurações.

“A COP25 é um folclore para se fingir que se está a fazer alguma coisa. Não aprovou regras sobre o uso e alteração dos solos mas a própria Europa também nunca conseguiu aprovar a diretiva sobre a matéria”, disse João Branco, lamentando que até mesmo ambientalistas viajem para a COP de avião quando o podiam fazer de comboio.

A Associação Natureza Portugal (ANP), uma organização não-governamental portuguesa que trabalha em associação com a internacional World Wide Fund for Nature (WWF), diz que numa primeira análise a COP25 falhou na missão de reunir os grandes decisores políticos que podem fazer a diferença ou marcar uma posição.

Daí que o resultado tenha sido o de “poucos acordos estabelecidos”, e que “em vez de se andar para a frente” andou-se para trás nos compromissos de Paris.

“Isto revela que, à semelhança do que está a acontecer no European Green Deal (acordo europeu sobre o clima apresentado na última semana), há muitos Estados e decisores políticos a nível mundial que não estão a dar a importância necessária à crise climática e a tomar as medidas efetivas que poderão resolvê-la”, diz a ANP-WWF, num comunicado enviado à agência Lusa.

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