Milhares de ativistas, na maioria jovens, estão a protestar nas ruas de Lisboa para exigir medidas do Governo que protejam o planeta, sublinhando que já se sabe quais são "as soluções, mas faltam as ações".

Os manifestantes em Lisboa associam-se a mais uma Greve Climática Global em defesa do planeta, que se está a realizar em cidades de todo o mundo.

São quase todos jovens e vêm de escolas, desde o ensino básico ao superior, mas também há ativistas mais velhos.

A manifestação de hoje é a quarta que se realiza em Portugal e é a que tem menos participantes em Lisboa.

Mas para a organização esse não parece ser um problema. Beatriz Farelo, uma jovem de 20 anos que está a fazer Erasmus na República Checa, esteve a organizar do protesto de hoje por videochamada. Antecipou a viagem de regresso a casa para poder estar presente e contou à Lusa que a grande missão de hoje é conseguir mobilizar gente para a Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP25), que começa na segunda-feira em Madrid.

No entanto deixou o apelo: "Não fiquem em casa!".

Os manifestantes vão terminar o protesto em frente ao Parlamento.

A Greve Climática Global realiza-se esta sexta-feira em 157 países, incluindo Portugal, e, na sua quarta edição, tem como principal objetivo mobilizar os jovens a participar na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2019 (COP25).

São esperados mais de 100.000 manifestantes na greve climática, segundo estimativas do ‘site’ oficial do movimento “FridaysForFuture”, e os protestos vão servir para convencer o máximo de pessoas a ir à COP25, que se inicia em Madrid na segunda-feira.

Em Portugal, estão previstas greves em Lisboa, Porto, Coimbra, Santarém, Portalegre, Évora e Vila Nova de Santo André (Santiago do Cacém), abaixo da participação em edições anteriores, o que é justificado pela organização com o aviso tardio para o protesto.

A COP25, que se irá realizar entre 2 e 13 de dezembro, vai contar com a presença de Greta Thunberg, a jovem ativista sueca que em 2018 começou a faltar às aulas para protestar, junto ao parlamento sueco, contra a inação dos políticos em questões ambientais.

Antes de se deslocar a Madrid, a ativista passa por Lisboa.

Desde agosto de 2018, já participaram na greve climática jovens de 6,6 mil cidades de 223 países, segundo o ‘site’ oficial do movimento.

No total, já se realizaram 63 mil greves climáticas.

 

BE e PCP apoiam jovens em protesto

Deputados do Bloco de Esquerda e do PCP desceram esta sexta-feira as escadarias da Assembleia da República, em Lisboa, e juntaram-se por alguns minutos a centenas de jovens para apoiar a manifestação da greve climática.

Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, e Alma Rivera, do PCP, estiveram cerca das 11:30 na manifestação, numa altura em que vários jovens faziam os seus discursos num palco improvisado.

Ambas saudaram a mobilização dos jovens para tema da emergência climática e coincidiram na ideia de que “o capitalismo não é verde”, uma das faixas exibidas pelos manifestantes.

Em declarações aos jornalistas, Catarina Martins lembrou que muitas vezes se diz que os jovens “não querem saber” de nada.

Aqui estão eles. Pelo mais importante que existe, pelo planeta e pelo futuro a querem, medidas concretas pela emergência climática”, disse.

O que os jovens estão hoje “a fazer por todo o mundo e em Portugal também é levantarem-se pela emergência climática”, isso “é extraordinária e têm que se ouvidos”, acrescentou.

Para a coordenadora bloquista, “são precisas políticas concretas para travar as emissões, para conseguir a neutralidade carbónica” e isso só se consegue com a “coragem” para “mexer na estrutura da economia”.

A luta pelo planeta, pelo clima é uma luta que se opõe aos grandes interesses capitalistas do nosso mundo e é preciso ter a coragem de fazê-lo”, concluiu.

Tal como a deputada bloquista, a parlamentar comunista Alma Rivera defendeu medidas concretas, por exemplo, de investimento na ferrovia, pela transição do transporte rodoviário, que é mais poluidor.

“Foi importante” a redução do preço dos passes, “mas é preciso agir e garantir transportes que acompanhem essa redução tarifária”, afirmou a deputada comunista, que assume o objetivo de “caminhar para o transporte coletivo gratuito”.

Alma Rivera explicou ainda por que motivo estava a usar o autocolante “O capitalismo não é verde”.

Porque, argumentou, o capitalismo, com o seu objetivo do lucro, “nunca será racional e nunca responderá à urgência que é a da proteção do nosso planeta”.