Sofia Vaz terminou, na sexta-feira, no Porto, uma caminhada de 16 dias pelos Caminhos de Santiago e que começou em Lisboa para alertar o Governo da necessidade de decretar as alterações climáticas uma "emergência".

À semelhança do que se fez no parlamento britânico este mês, a 2 de maio, onde se aprovou uma moção para declarar emergência climática, Sofia Vaz, 54 anos assumiu que também Portugal deveria fazer o mesmo, para bem do futuro das próximas gerações.

Depois de terminar a caminhada de solidariedade com os jovens que, como a ativista sueca Greta Thunberg, estão preocupados com o ambiente e futuro do planeta, e após andar uma média de 25 quilómetros em cada jornada, com uma mochila às costas de seis quilos, Sofia Vaz, 54 anos contou que a parte do percurso mais bonito que fez foi os "dois dias a seguir a Tomar", por causa dos "bosques de carvalhos com água e biodiversidade rica e sons da natureza".

O dia mais complicado para Sofia Vaz foi entre Cernache e Mealhada, entre o distrito de Coimbra e Aveiro, porque não encontrou nenhum sítio para dormir e teve de andar 40 quilómetros seguidos. Mais complicado ainda e “perigoso” foi estar em estradas sem passeios, disse.

Na caminhada de solidariedade, Sofia Vaz conta que se deparou com "ruas e estradas sem passeios", muitas vezes com "lixeiras e entulho", encontrando ao "abandono inúmeras fábricas, casas e quintas".

A "monocultura florestal e agrícola" foi outro dos pontos negativos que destaca Sofia Vaz, doutorada em Filosofia da Natureza e do Ambiente, que trabalhou como técnica especialista no Ministério da Agricultura e do Mar (2015).

O caminho todo, assim como Portugal, assim como a vida, tem altos e baixos, e partes bonitas e partes feias e momentos altos e momentos baixos”, descreve, refletindo que nesta viagem destaca “três conceitos base”: o tempo relacionado com o quebrar o ritmo urbano, o silêncio para poder sentir melhor o mundo e o ambiente de forma mais sensorial e a frugalidade, porque viveu 16 dias com seis quilos às costas e nada mais.

Sofia Vaz é associada da Zaro - Associação Sistema Terrestre Sustentável -, nasceu em Lisboa em 1964 e licenciou-se em Engenharia do Ambiente na Universidade Nova de Lisboa em 1989 e esteve a desenvolver até muito recentemente trabalhos como investigadora na Fundação para a Ciência e Tecnologia.