Mais de 60% dos portugueses inquiridos num questionário divulgado esta sexta-feira, considera que os recentes protestos de jovens pelo clima motivam ação política, tanto a nível nacional, como europeu, com 52% a manifestarem preocupação com as alterações climáticas.

Em causa está um inquérito conduzido pelo Parlamento Europeu e focado na questão das alterações climáticas, para o qual foram entrevistados presencialmente, entre os dias 8 e 22 de outubro, 27.607 cidadãos dos 28 Estados-membros da União Europeia, com 15 ou mais anos, numa média de quase mil pessoas em cada país.

No caso de Portugal, 66% dos inquiridos consideraram que os recentes protestos juvenis contra as alterações climáticas podem levar à adoção de medidas pelos decisores políticos do país, enquanto 68% afirmaram acreditar em influência nas decisões europeias.

Este Eurobarómetro é, inclusive, divulgado no dia em que milhares de ativistas, na maioria jovens, estiveram nas ruas de Lisboa a exigir medidas do Governo que protejam o planeta, sublinhando que já se sabe quais são "as soluções, mas faltam as ações".

Os manifestantes em Lisboa associaram-se a mais uma Greve Climática Global em defesa do planeta, que se está a realizar em cidades de todo o mundo.

Em toda a UE, quase seis em cada dez entrevistados neste Eurobarómetro disseram acreditar que os protestos contra as mudanças climáticas liderados por jovens têm impacto nas medidas políticas, tanto ao nível da UE (59%) como a nível nacional (58%).

Por país, os cidadãos portugueses foram os quintos a acreditar mais neste tipo de influência, logo atrás dos irlandeses, dos suecos, dos cipriotas e dos dinamarqueses.

Quanto às questões ambientais que mais preocupam os inquiridos portugueses, mais de metade (52%) apontou as alterações climáticas.

O inquérito foi divulgado dois dias antes de se iniciar, em Madrid, a 25.ª Conferência das Nações Unidas Sobre as Alterações Climáticas (COP25), no qual participarão líderes europeus como a presidente eleita da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que entretanto entra em funções, e o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli. Portugal estará representado na abertura da cimeira pelo primeiro ministro, António Costa

A cimeira do clima vai contar com a presença de Greta Thunberg, a jovem que aos 15 anos trocou as salas de aula pelo passeio em frente ao parlamento sueco, onde se começou a manifestar para exigir medidas políticas de proteção do planeta.

Antes de se deslocar para Madrid, a ativista sueca passa por Portugal.

Em Madrid, à margem da COP25, está prevista uma manifestação juvenil no dia 06 de dezembro.

Desde agosto de 2018 até agora, já participaram jovens de 6,6 mil cidades de 223 países, segundo o site oficial do movimento Greve Global pelo Clima.