A água salgada, devido às marés vivas, está a avançar sobre terrenos agrícolas na Marinha, Ovar, transpondo as proteções criadas com as dragagens, que os agricultores dizem estar a ser “mal feitas”.

Segundo António Valente, em conferência de imprensa promovida pela União dos Agricultores e Baldios do Distrito de Aveiro, são centenas os proprietários de terrenos marginais que estão a ser afetados e várias as culturas de milho perdidas.

Nós não estamos contra as obras da dragagem que estão aqui a decorrer, mas só estão a limpar ao meio dos canais e não limpam o resto da Ria até à margem”, afirma o dirigente associativo.

António Valente relata que as areias estão a ser depositadas longe das margens e “não protegem nada porque o lodo escorre novamente para a água e com as marés vivas a água leva tudo à frente”.

Quando a água recuar vai-se ver que o milho está todo queimado”, observou, criticando o facto de os agricultores, que têm “um saber de experiência feito”, não terem sido “ouvidos nem achados” sobre o projeto das dragagens.

 

“O pior”, diz, é que “entram a abrir valar pelos terrenos dentro, sem pedir autorização a ninguém e é tudo deles, mas a gente é que paga os impostos de campos que ficam submersos e depois nem se sabe onde ficam”.

António Valente aponto outros defeitos ao projeto, nomeadamente não ter sido aproveitada a ocasião para recuperar vários hectares de terreno que há duas décadas estavam produtivos e que o assoreamento da Ria alagou, para o que bastaria ter dragado até às antigas margens, aprofundando o leito para receber as águas e não deixar transbordar.

Só querem saber do canal de navegação e não acho justo”, comenta indignado.

A empreitada de desassoreamento na Ria de Aveiro está em curso desde 23 de abril de 2019, tendo sido adjudicada pela Polis Litoral – Ria de Aveiro ao Consórcio “ETERMAR/MMAS/ROHDE NIELSEN”, pelo valor de 17,5 milhões de euros, acrescido de IVA.

Está previsto dragar cerca de um milhão de metros cúbicos de sedimentos nos canais de Ovar até ao Carregal e até Pardilhó, da Murtosa, de Ílhavo (Rio Boco), de Mira, no Lago do Paraíso e na Zona Central, numa extensão global de 95 quilómetros.

A ação é financiada pelo POSEUR – Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos, com uma comparticipação de 75 por cento.

/ HCL