Os jovens ativistas que no sábado foram detidos em Lisboa durante um protesto contra a poluição provocada pelos aviões foram ouvidos esta segunda-feira em tribunal, que decidiu que o processo avança para fase de inquérito.

Os jovens detidos pertencem ao movimento ambientalista Climáximo e são acusados de desobediência a ordem de dispersão de reunião pública e atentado à segurança rodoviária.

Temos menos de dez anos para cortar três quartos das emissões de gases com efeito de estufa em Portugal e mais aviação é como ligar o fogão a gás numa casa em chamas" diz, citada num comunicado do movimento hoje divulgado, Inês Teles, uma das acusadas.

O movimento diz também no documento que o Estado tem agora oito meses para decidir se quer continuar a criminalizar a conduta dos ativistas ou se quer antes garantir que “há menos aviões, mais ferrovia e uma transição justa para os trabalhadores".

Depois do protesto de sábado e da detenção dos ativistas, apoiantes do Climáximo concentraram-se na esquadra onde estavam os ativistas e hoje estiveram também à porta do tribunal, em solidariedade com os detidos, refere o movimento no comunicado, que promete “continuar a luta” e voltar às ruas no outono “para bloquear umas das infraestruturas mais poluentes de Portugal".

No sábado os manifestantes protestaram na zona das chegadas do aeroporto contra a poluição provocada pelos aviões, rumando depois para a Praça do Aeroporto (Rotunda do Relógio), onde cortaram o trânsito. O protesto, que levou às detenções por parte da PSP, teve como objetivo exigir mais transportes ferroviários e menos aviões.

/ MJC