A empresa Recivalongo disse esta segunda-feira serem “falsas” as acusações do presidente da câmara de Valongo, informando que “nunca efetuou nem prevê realizar descarga de lixiviado para o meio hídrico”, e que vai processar José Manuel Ribeiro.

Responsabilizando o autarca de Valongo pelo “alarme social”, a empresa que labora no aterro de Sobrado acusada de “crime ambiental” pela população do concelho garante que as declarações “são falsas, como poderão confirmar todas as entidades licenciadoras e fiscalizadoras a quem a Recivalongo vem prestando informação de forma regular, proativa e adequada”.

José Manuel Ribeiro denunciou que a empresa Recivalongo aguarda autorização do Estado para uma descarga de lixiviado numa ribeira de caudal intermitente, classificando-o como um atentado ambiental.

Em resposta enviada à Lusa, a Recivalongo disse que “nunca efetuou nem prevê realizar qualquer descarga de lixiviados para o meio hídrico”.

“Por incapacidade das Águas de Valongo, a Recivalongo tem desde 2017 um contrato com as Águas do Norte para o tratamento de lixiviados. Para evitar a acumulação de lixiviados no aterro do Sobrado, estes têm sido deslocados via camiões até ao destino de tratamento, nas Águas do Norte, pelo que as acusações feitas pela autarquia de Valongo não fazem qualquer sentido”, acrescenta a nota de imprensa.

Em Sobrado, terça-feira de manhã, José Manuel Ribeiro afirmou que “a descarga para o meio hídrico, neste caso, para a ribeira do Vilar requerida pela Recivalongo à Associação Portuguesa do Ambiente reveste-se de um elevado risco que não pode ser, de forma alguma, descurado”, denunciou o autarca socialista.

A cinco dias de ser conhecida a decisão da Comissão de Acompanhamento (CA) criada pela tutela para avaliar as condições em que está a laborar a empresa proprietária do aterro em Sobrado, o autarca de Valongo alertou para a iminência de um novo atentado ambiental.

Dando conta que a Recivalongo “foi multada recentemente em 44 mil euros por reincidir nas descargas ilegais para a ribeira de Vilar”, tendo sido contabilizada “carga contaminante superior a 300% ao valor permitido”, José Manuel Ribeiro levou a comunicação social junto ao curso de água, para assinalar o perigo.

Explicando tratar-se de um “curso de água intermitente”, que depende da “pluviosidade” e que, devido a isso, “por estes dias tem um volume de água muito baixo”, o autarca socialista denunciou que, “a haver nova descarga, esta tornará impossível às pessoas viver em Sobrado, além de que poderá haver contaminação ao nível freático”.

Na resposta, a empresa contestou também a multa de 44 mil euros que José Manuel Ribeiro aludiu, afirmando que “está neste momento em fase de contestação por parte da Recivalongo uma vez que os fundamentos que a originam são falsos”.

“Não só é falso que a Recivalongo tenha feito tal descarga, como o presidente falta à verdade quando diz que a multa diz respeito a uma descarga para a ribeira de Vilar, contradizendo o próprio auto da Câmara Municipal, que refere descarga para o coletor municipal”.

Informando que “tem prestado toda a colaboração e informação no âmbito da Comissão de Acompanhamento constituída pela Agência Portuguesa do Ambiente, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional Norte, a Administração Regional de Saúde do Norte e a Câmara de Valongo”, a dona do aterro “repudia as falsas declarações prestadas pelo autarca de Valongo”.

A Recivalongo anunciou, a propósito, ter “tomado as medidas necessárias do ponto de vista jurídico para proteger o bom nome da empresa”.

Acrescenta a empresa que “trata os resíduos de mais de 1.000 empresas da região desde 2012 e está devidamente licenciada para o exercício das suas atividades cumprindo com todos os requisitos legais e normativos”, informou também que “foi alvo de mais de 20 ações de fiscalização em 2019, tendo demonstrado a total conformidade em todas as vistorias”.

A Lusa tentou uma reação de José Manuel Ribeiro, mas até ao momento não foi possível.

/ RL