A amêijoa é uma espécie invasora, que chegou a Portugal na década de 80 do século XX. É um bivalve usado como isco na pesca e, entre nós, pouco apreciado na gastronomia. E tem o inconveniente de se espalhar com demasiada rapidez. É uma praga que destrói os nossos ecossistemas ribeirinhos e aniquila a concorrência, como o mexilhão de água doce.

Mas Joana Pereira, e outros colegas investigadores da Universidade de Aveiro, descobriram que estes espécimes asiáticos possuem uma qualidade apreciável: conseguem remover metais e compostos orgânicos que contaminam as águas e que resultam, por exemplo, da indústria de produção de azeite.

 

 

E esta não é a sua única capacidade. Como são bivalves filtradores, as amêijoas asiáticas também conseguem retirar das águas contaminadas vírus e bactérias com potencial patogénico. Os investigadores estão a estudar a possibilidade de amêijoas asiáticas poderem ser usadas em estações de tratamento de águas residuais, mas também na purificação de piscinas ou praias fluviais. E as vantagens são óbvias: trata-se de uma solução biológica que pode substituir a utilização de químicos e a sua rentabilização pode financiar programas de erradicação de amêijoas asiáticas em ecossistemas ribeirinhos.

A equipa de Joana Pereira tem entre mãos outros desafios. Descobrir se é possível controlar outras pragas, como o lagostim americano, que já se encontra disseminado por todo o território, e o mexilhão zebra – que começa agora a entrar nos rios portugueses. E, finalmente, analisar os solos potencialmente contaminados que trouxe consigo após uma expedição científica à Antártida.

 

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