A Amnistia Internacional organizou esta noite uma vigília, no Porto, para “iluminar a escuridão que hoje se vê na Índia” e que “silencia a dissidência e a repressão de defensores dos direitos humanos”.

Em vez de pessoas, a vigília contou com uma vela por cada uma das quase mil pessoas que assinou a petição ‘online’ que pede “coerência” aos líderes europeus – que se reunirão, no sábado, no Porto, com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, que participará por videoconferência.

Pedro Neto, diretor executivo da Amnistia Internacional Portugal, pede aos líderes europeus que “não se esqueçam dos direitos humanos na mesa das conversações”.

Assumindo que tem “esperança” que os líderes europeus apliquem os mesmos princípios que têm seguido face à China, o responsável frisa que seria “incoerente” a União Europeia (UE) aproximar-se da Índia e “não colocar os direitos humanos em cima da mesa”.

A vigília serviu para chamar a atenção para a situação de 16 dissidentes presos na Índia, “desde defensores de direitos humanos a jornalistas, advogados, até religiosos”, mas que simbolizam as “centenas, senão milhares, de pessoas, que estão a ser perseguidas e reprimidas” na Índia, contabiliza Pedro Neto.

Em comum, resume o padre jesuíta José Maria Brito, presente na vigília, os dissidentes têm “uma voz” que põe em causa “os interesses de uma visão claramente nacionalista do Estado indiano, neste momento”.

Os jesuítas têm acompanhado o caso de um padre detido, idoso e doente, “acusado falsamente de ligações terroristas” por defender os adivasi (etnia tribal da Índia).

Gostaríamos que a questão dos direitos humanos estivesse presente nesta reunião”, corrobora.

 

É preciso não deixar que isto deixe de ser uma questão”, que “é incómoda para a Índia”, insistiu, mencionando ainda o caso de um humorista que foi preso antes do espetáculo. “Nem sequer chegou a fazer as piadas”, ironiza.

A Amnistia Internacional “foi obrigada a fechar operações” na Índia e “foram congeladas as contas bancárias da organização”, adianta Pedro Neto.

Não há meios humanos nem meios financeiros para fazer o trabalho de defesa dos direitos humanos, numa altura em que os direitos humanos estão a ser bastante atacados”, frisa, deixando um apelo: “Não deixem nem o sonho fundacional da União Europeia nem o sonho de Gandhi ficarem para trás.”

. / CE