A adesão à greve desta sexta-feira da Função Pública foi superior a 80%, segundo estimativas preliminares da Frente Comum.

Neste momento temos mais de 80% de adesão em termos nacionais”, afirmou a coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila, numa conferência de imprensa ao final da manhã em Lisboa, ressalvando que os dados são preliminares e não incluem ainda todos os distritos do país.

A dirigente sindical precisou terem-se registado distritos com “as escolas todas paradas”, com os serviços de saúde “tudo a 100% dos mínimos” nalguns distritos.

A Frente Comum diz que faltam ainda os números de adesão durante a tarde, e de alguns distritos, mas os da manhã revelaram já escolas, museus, serviços do cartão de cidadão e registo criminal fechados, mais de 50% das repartições de finanças encerradas, bem como tribunais.

É uma greve que não é da saúde nem da educação”, disse Ana Avoila, adiantando que, na administração local, à exceção das câmaras de Almada e do Funchal, “está tudo a 100%” no que refere à adesão à paralisação.

 

Esta greve está a dar o sinal que os trabalhadores estão muito descontentes com o que se está a passar com eles e a forma como estão a ser tratados”, afirmou, recordando que “foram estes trabalhadores que ajudaram a derrubar o governo PSD/CDS que fez uma política desastrosa para a administração pública”.

A coordenadora da Frente Comum acrescentou: “Nós não vamos desistir de lutar até às eleições”, especificando que o balanço definitivo da greve desta sexta-feira será divulgado na segunda-feira.

A paralisação começou por ser marcada pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública (CGTP), há cerca de um mês, na expectativa de que o Governo ainda apresentasse uma proposta de aumentos generalizados para a função pública, o que não veio a concretizar-se.

A Federação Sindical da Administração Pública (FESAP) e a Federação Nacional da Educação (FNE), filiadas na UGT, marcaram dias depois greve para a mesma data, pelos mesmos motivos.

A última greve nacional da administração pública ocorreu em 26 de outubro e foi convocada pela Frente Comum, pela FESAP e pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE).

Os trabalhadores da função pública têm os salários congelados desde 2009.

FESAP: greve "excedeu as expectativas"

A Federação de Sindicatos da Administração Pública (FESAP) disse que a adesão à greve desta sexta-feira da função pública "excedeu as expectativas", rondando 80%, sendo a Educação o setor mais afetado, com 90% das escolas abrangidas.

A greve é um aviso ao Governo de que os trabalhadores da administração pública estão descontentes", afirmou o dirigente da FESAP, José Abraão, numa conferência de imprensa, em Lisboa, para fazer o balanço da greve convocada pela estrutura sindical e pela Federação Nacional de Educação (FNE).

Segundo o líder da FNE, João Dias da Silva, cerca de 90% das escolas encerraram ou foram parcialmente afetadas, sobretudo devido à adesão dos assistentes operacionais, mas também de docentes.

Os professores farão outra vez greve se for necessário", caso o Governo não inicie a negociação sobre a recuperação do tempo de serviço, acrescentou o líder da FNE.

Na saúde, registou-se uma adesão "superior a 80%" nos 35 hospitais EPE, havendo situações, como no caso dos hospitais Amadora-Sintra ou de Braga, em que trabalhadores "foram chamados a cumprir serviços mínimos que não tinham de cumprir", adiantou José Abraão.

O líder da FESAP disse que não estão excluídas novas ações de luta com o reforço da "unidade na ação" caso o Governo não dê resposta às reivindicações dos trabalhadores.