O homem que matou uma irmã e tentou matar a outra, há um ano, em Évora, foi condenado a uma pena única de 24 anos de prisão pelos crimes de homicídio qualificado e homicídio na forma tentada. Foi também condenado a indemnizar a família da vítima em perto de meio milhão de euros.

A leitura do acórdão do processo em que Guilherme Páscoa é acusado de ter matado Ana Bívar, antiga subdiretora do Igespar, foi feita no Tribunal Judicial de Évora, pelo juiz presidente do coletivo, Francisco Galvão Correia.

O advogado de defesa adiantou à Lusa que pondera recorrer da decisão, atendendo a que considera a pena aplicada «um pouco excessiva».

O juiz presidente do coletivo, Francisco Galvão Correia, fez a leitura de uma súmula do acórdão, durante cerca de meia hora, estando na sala alguns familiares das vítimas e do arguido.

O presidente do coletivo de juízes considerou que Guilherme Páscoa agiu por «avidez», tendo em vista o controlo do património familiar.

Marta Páscoa, que o arguido terá tentado matar, saiu hoje emocionada do tribunal, desabafando apenas «fez-se justiça» e «a justiça devia ser mais penalizante para pessoas destas».

Pela parte dos assistentes e que apresentaram pedidos de indemnização cível, António Prôa e Marta Páscoa, os seus advogados manifestaram-se satisfeitos com a pena de prisão aplicada.

«Parece-me um acórdão muito competente e muito bem fundamentado», disse Diogo Bastos, advogado de António Prôa.

O causídico considerou «correta» e que «não constitui uma surpresa» a pena de 24 anos de prisão.

O caso remonta a 30 de maio de 2012, em Évora, com Guilherme Páscoa a ser acusado de ter matado com um objeto cortante a irmã Ana Bívar, 51 anos, então subdiretora no Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico (Igespar) e mulher do deputado do PSD, António Prôa, e de ter tentado assassinar uma outra irmã, Marta Páscoa, de 44 anos, após as ter atropelado, devido a questões relacionadas com partilhas e gestão de uma herança familiar.

Guilherme Páscoa, de 42 anos, está em prisão preventiva no Hospital Prisional de Caxias e não assistiu hoje à leitura do acórdão, uma vez que a unidade hospitalar «não permitiu» por estar sujeito a «uma forte dose de medicação», explicou à agência Lusa o seu advogado, Manuel Luís Ferreira.

Figura do meio equestre, Guilherme Páscoa terá matado a irmã Ana Bívar com um golpe na jugular, quando esta se dirigia, acompanhada pela irmã Marta, para o seu veículo para regressar a Lisboa, onde morava.

O homem terá esfaqueado as duas irmãs após as ter atropelado, tendo Ana Bívar acabado por morrer no Hospital de Évora, enquanto Marta Páscoa sofreu ferimentos ligeiros e teve alta hospitalar horas depois.

Após os crimes, no Bairro do Granito, nos arredores de Évora e perto da casa de Marta Páscoa, o arguido fugiu, mas entregou-se no dia seguinte num posto da GNR na zona de Alenquer.

As autoridades não encontraram no local a arma utilizada, mas em tribunal foi avançada a possibilidade de se ter tratado de um x-ato.