É uma história impressionante, o relato real de mãe e filha, vítimas de violência doméstica durante mais de 20 anos. O agressor é agente da PSP, e integrava a unidade especial de polícia no corpo de segurança pessoal. Um homem violento que chegou a ameaçar a mulher com a arma de serviço e abusou de duas filhas.

Mãe e filha garantem que pediram ajuda à chefia do homem, na polícia, e nada foi feito. Era do conhecimento dos superiores hierárquicos deste agente, inclusive do à época do comandante de unidade especial de polícia, hoje o número 2 nacional da PSP. As autoridades só agiram muito tempo depois, quando as vítimas apresentaram queixa.

Mãe e filhas, descendentes de uma família brasonada, tiveram de suportar sozinhas um drama que ainda não terminou e em que tudo falhou: as instituições que era suposto protegê-las, magistrados, amigos, vizinhos e até mesmo a família.

Foi nos primeiros anos de casamento, depois da primeira gravidez, que surgiram as primeiras agressões, que se agravaram com a entrada de Rui para a unidade especial de polícia.

Alertamos para a natureza dos depoimentos que se seguem, duros, reais e que por isso se torna imprescindível reproduzi-los, porque só assim teremos a verdadeira dimensão do horror vivido por estas mulheres.

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O agressor foi condenado a 5 anos de pena suspensa, mas continua em funções no Comando Metropolitano de Lisboa.

A TVI tentou ouvir a PSP, que optou por responder por escrito, confirmando a existência de um inquérito interno com vista à expulsão deste agente. Mas não explicou porque é que em 2011 não instaurou um processo disciplinar a Rui quando este ameaçou a mulher com a arma de serviço, na presença das filhas. Não explicou também porque é que não denunciou o crime de violência doméstica, que é um crime público. E não explicou porque é que, estando envolvidos três menores de idade, a situação não foi denunciada à Comissão de Proteção de Menores, ao tribunal ou a qualquer outra entidade responsável.

Estas mulheres sobreviveram a anos e anos de agressões, maus tratos, ofensas, ameaças. Sobreviveram ao medo e à dor, à vergonha, à solidão… Mas não saíram ilesas. Depois de tudo, há poucas semanas receberam um ultimato da PSPp dizendo que tinham de abandonar a casa. Sem terem para onde ir e sem dinheiro suficiente para alugarem uma casa estiveram na iminência de ficar no meio da rua