Pelo segundo dia consecutivo, a Câmara Municipal de Pedrógão Grande esteve, esta quarta-feira, a retirar, durante todo o dia, donativos para as vítimas dos incêndios, que estavam guardados em dois armazéns da autarquia. A TVI registou estas operações em imagens exclusivas.

Podem ver-se bens embalados, misturados donativos deteriorados. Está tudo a ser transportado por funcionários da Câmara em camiões do município. Uma operação que está a ser coordenada por Telmo Alves, filho do presidente da autarquia.

Isto acontece depois da investigação da TVI ter denunciado a existência de bens doados à Câmara Municipal, na sequência do grande incêndio de junho de 2017, escondidos em armazéns, um ano e meio depois da tragédia.

Esta quinta-feira, o espaço coordenado pela jornalista Ana Leal vai avançar com mais revelações no âmbito desta investigação.

Câmara diz que não sonegou bens

No domingo, o presidente da Câmara de Pedrógão Grande explicou que a autarquia se limitou a ceder espaços para acolher donativos para as vítimas dos incêndios de 2017, rejeitando suspeitas de favorecimento.

Em conferência de imprensa, convocada para refutar as acusações de favorecimento e açambarcamento de ofertas relatadas pela TVI, Valdemar Alves reafirmou a transparência do processo por parte da autarquia.

"Os eletrodomésticos que estão num armazém da autarquia são da Cruz Vermelha/Revita, responsável pela gestão do apetrechamento das habitações" ardidas no incêndio de junho de 2017, que causaram 66 mortos e destruíram centenas de habitações, explicou Valdemar Alves.

O presidente da Câmara disse que o município cedeu o antigo pavilhão gimnodesportivo da vila para a Cruz Vermelha depositar eletrodomésticos, desde frigoríficos a máquinas de lavar roupa e micro-ondas, que serão depois utilizados no apetrechamento das casas reconstruídas nos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera e Viseu.