No último mês, a Câmara de Pedrógão Grande colocou 51 pessoas nos quadros, quase duplicando o número de funcionários, ao abrigo do programa de regularização dos vínculos precários na Função Pública. Mas nenhum destes trabalhadores era precário do Estado, ou seja, todos tinham contrato com uma entidade privada e vários até estavam efetivos, apurou a equipa de investigação do programa "Ana Leal" da TVI.

Em causa estão, ainda, suspeitas de favorecimento de familiares da vice-presidente Margarida Guedes, que colocou nos quadros da autarquia a filha, o irmão e a cunhada.

Joana Guedes foi adjunta do filho do presidente quando Telmo Alves coordenou o grupo operacional de recuperação e reconstrução após os incêndios. Atualmente, está integrada na divisão administrativa e financeira, sendo assessora dos vereadores, incluindo da mãe.

Vasco Piedade Lopes, o irmão da vice-presidente, prestava serviço como mecânico nas oficinas da autarquia e, agora, integrou os quadros na mesma categoria.

Já Maria Fernanda Marques, cunhada de Margarida Guedes, trabalhava nas limpezas dos Paços do Concelho, passando também a efetiva.

A proposta que abriu caminho à colocação dos familiares consta da ata de outubro e só foi aprovada porque a vice-presidente usou o voto de qualidade, isto é, decidiu em causa própria.