O Governo lança sábado uma campanha para incentivar a utilização do preservativo feminino, salientando que o uso deste anticoncepcional dá às mulheres o controlo e é eficaz na prevenção da sida, avança a Lusa.

A campanha pretende levar as mulheres «a uma nova atitude» e aconselha a que se informem com um profissional de saúde sobre o preservativo feminino, actualmente fora do mercado português por falta de procura.

«Pretendemos primeiro dar a conhecer o preservativo feminino e salientar que ele é uma alternativa para as mulheres poderem garantir a sua protecção e a prevenção do risco de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), nomeadamente a VIH/sida», destacou, em declarações à Lusa, Beatriz Casais, da Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida.

Outro dos objectivos é levar as pessoas a procurarem informação junto de profissionais de saúde e, acrescenta a responsável, «aguçar o apetite aos privados, nomeadamente às farmácias e distribuidoras, para que coloquem o preservativo feminino no mercado e a preços acessíveis».

O preservativo feminino tem a forma de uma manga semelhante a um saco de plástico espesso e é constituído por dois anéis, um dos quais fica no interior da vagina e outro na zona exterior e que cobre parte dos lábios vaginais e do clítoris.

Em relação à versão masculina, Beatriz Casais considera que este anticoncepcional feminino tem a vantagem de «dar mais poder às mulheres para negociar com os respectivos parceiros».

«Quando a mulher está limitada ao preservativo masculino na negociação com o parceiro, tem de pedir para usar. Assim, a decisão é dela», destaca.

Preservativo feminino com pouca procura

Este preservativo esteve à venda nas farmácias há alguns anos, a um preço muito superior ao do preservativo masculino, e acabou por ser retirado por falta de procura e de rentabilidade económica.

«Como sabem, as farmácias não fazem distribuição gratuita e não tem havido tanta procura e consequentemente oferta», destacou, em declarações à agência Lusa, o coordenador nacional para a Infecção VIH/sida, Henrique Barros.

Esta comissão distribui gratuitamente o preservativo feminino há dois anos.

«Ainda há falta de conhecimento e de utilização. É natural que se as pessoas não conhecem também não utilizem», disse Henrique Barros, destacando que esta campanha é «para lembrar que o preservativo feminino existe e é importante experimentar, para que a sua utilização vá crescendo, como tem vindo a acontecer».

A campanha, que decorre nas televisões e salas de cinema entre 29 de Março e 3 de Maio, é da Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida e da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG).
Redação / AP