O secretário de Estado da Saúde, Lacerda Sales, afirmou esta segunda-feira que o primeiro-ministro "tem estado sempre ao lado dos profissionais de saúde".

Questionado sobre a atual polémica que envolve António Costa - acerca de umas declarações feitas ao Expresso em off - Lacerda Sales disse que não ia comentar "conversas privadas ou descontextualizadas" e enfatizou a postura que tem sido adotada pelo chefe do Governo.

"O Sr. Primeiro-ministro e o Governo sempre estiveram e estão ao lado dos profissionais de saúde. Os portugueses sabem isto e os profissionais de saúde também (...) Sempre tem estado ao lado dos profissionais, sempre empenhado naquilo que são encontrar soluções para a melhoria das condições de trabalho destes profissionais", sublinhou o secretário de Estado. 

Numa altura em que a situação ao lar de Reguengos de Monsaraz está sob investigação, Lacerda Sales lembrou que a Ordem dos Médicos deve atuar de acordo com a Lei.

"Não existindo dúvidas que a Ordem dos Médicos (OM) tem competência em matéria disciplinar dos profissionais, a nível deontológico, também sabemos que não tem poder de fiscalização ou inspeção, sem estar mandatada. O que nos é dado a perceber não existiu a autorização", disse.

No lar de Reguengos de Monsaraz morreram 18 pessoas. António Lacerda Sales disse que a falha de acompanhamento médico no lar de Reguengos de Monsaraz "é pontual", uma vez que nos "restantes lares do país não há conhecimento que tal se tenha passado".

"Confiamos nos profissionais de saúde", reiterou o governante.

Portugal registou esta segunda-feira mais cinco mortos e 123 novos casos de infeção.

Bastonário espera que "mal-estar" entre médicos e Governo possa ser sanado

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, afirmou hoje esperar que o “mal-estar” entre os médicos e o Governo relativo ao surto de covid-19 em Reguengos de Monsaraz possa ser “sanado e resolvido rapidamente”.

Espero que este mal-estar possa ser sanado e resolvido rapidamente. Isso é absolutamente essencial, precisamos, de facto, de fazer isso. Precisamos de fechar este dossiê [surto no lar em Reguengos de Monsaraz] e precisamos de nos concentrar naquilo que é importante”, frisou o bastonário.

Miguel Guimarães, que falava aos jornalistas depois do Fórum Médico convocado pela Comissão Permanente do Conselho Nacional da Ordem dos Médicos, defendeu a necessidade de existir um “clima de tranquilidade” para que os médicos sintam que são “respeitados e valorizados pelas instituições que detêm o poder político”.

Este é o objetivo da Ordem dos Médicos, juntamente com todas as estruturas que fazem parte do fórum, conseguir estabelecer aqui um clima que seja propicio a que os médicos possam estar mais motivados, a que os médicos possam sentir que são respeitados e sentir também que o seu trabalho é valorizado”, sublinhou, acrescentando que tal é extensível a todos os profissionais de saúde.

O bastonário defendeu ainda que este “clima de tranquilidade” é fundamental para enfrentar uma época de outono e de inverno que, seguramente, “vai ser diferente do habitual” devido à covid-19, mas também à gripe sazonal e aos doentes que aguardam ainda por uma operação ou consulta.

Lara Ferin / ATUALIZADO ÀS 15:42