O presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, António Dias Alves, renunciou ao cargo, cessando funções nesta segunda-feira, anunciou numa carta aos funcionários. 

Para execução cabal da estratégia, bem como do contrato programa e de gestão [do centro hospitalar], é necessário um Conselho de Administração com a qualificação e coesão requeridas pela dimensão e complexidade do hospital, disso dei conta repetidamente à tutela, tendo colocado o lugar à disposição em 13 de novembro", escreveu, segundo o documento a que a agência Lusa teve acesso.

Volvidos três meses e dado a situação manter-se, não estando reunidas as condições necessárias, Dias Alves assumiu, na missiva, que enquanto presidente do Conselho de Administração não lhe restava outra alternativa senão renunciar ao cargo.

Por esse motivo, e depois de comunicar a sua decisão ao Ministério da Saúde, liderado por Marta Temido, a sua renúncia produz efeitos a partir de terça-feira, adiantou. 

O meu agradecimento sincero pela ajuda e colaboração recebidas", disse Dias Alves na despedida aos funcionários. 

Sublinhando ter exercido as funções com “empenho e dedicação plena à missão de desenvolver o hospital harmoniosamente”, o presidente revelou que a primeira preocupação do Conselho de Administração foi “promover uma visão e direção partilhadas” para o hospital.

“Sob a liderança de um grupo maioritariamente clínico foi amplamente discutida e aprovada a estratégia, os objetivos e as áreas prioritárias a desenvolver no mandato”, salientou.

Fazendo uma retrospetiva da sua ação, Dias Alves, que estava no cargo desde abril de 2017, recordou que ainda nesse ano foi aprovada uma nova Unidade de Convalescença com lotação de 34 camas a instalar no Hospital de Espinho, estando a abertura apenas dependente da autorização do Ministério das Finanças para o recrutamento dos profissionais.

Já sobre 2018, o presidente assumiu que o primeiro semestre ficou “tristemente marcado” pela conjunção dos problemas graves em instalações e saída definitiva de inúmeros profissionais sem substituição.

Mas, ainda assim, frisou que o hospital abriu uma Unidade de Hospitalização Domiciliária, recebeu o Centro de Reabilitação do Norte, abriu uma nova sala de bloco, preparou o arranque de sete novos centros de responsabilidade integrada, concretizou obras de adaptação em diversos serviços e obteve aprovação para aumento da lotação em 51 camas.

Para este ano, Dias Alves garantiu que o hospital desenvolveu um amplo programa de formação, um conjunto de projetos de investimento para todos os serviços e de melhoria de processos, para simplificação, redução de desperdício e melhoria de resultados e uma política e estratégia de qualidade.

Foi sob a sua liderança que, em setembro de 2018, foi anunciada a demissão de um grupo de 52 diretores e chefes de serviço pela Ordem dos Médicos, no Porto, devido à falta de condições nas infraestruturas e equipamentos e escassez de profissionais.

A vice-presidente do CDS-PP Cecília Meireles afirmou que o Governo deve uma explicação sobre este caso.

Acho que é absolutamente inadmissível esta nova modalidade que o Ministério da Saúde instalou que é a das demissões se terem tornado um hábito, juntando-se esta a já um longo rol”, disse em declarações à agência Lusa Cecília Meireles.