A Câmara de Coimbra reforçou os contactos de rua com a população em situação de sem-abrigo, bem como o encaminhamento para os centros de acolhimento devido ao frio, afirmou o vereador do município.

A Câmara de Coimbra tem ativado um plano de contingência desenhado para as vagas de frio e calor extremo, num trabalho feito em cooperação com as instituições e associações que trabalham no terreno junto da população sem-abrigo, disse à agência Lusa o vereador com o pelouro da ação social, Jorge Alves.

O plano, esclareceu o responsável, foi ativado a partir dos alertas da Autoridade Nacional de Proteção Civil, preconizando um reforço "dos contactos de rua, por forma a que se aparecer uma situação nova ela seja logo detetada".

Nesse âmbito, é também reforçado o "encaminhamento para os centros de acolhimento", sublinhou.

De momento, o concelho tem três centros de acolhimento para a população em situação de sem-abrigo.

Segundo o vereador, os centros de acolhimento não estão, de momento, cheios, referindo que haverá cerca de 30 pessoas em situação de sem-abrigo no concelho de Coimbra.

De acordo com Jorge Alves, há quem não aceite a opção de ir para um centro de acolhimento "por diversas razões".

O vereador salientou que este plano de contingência devido ao frio dá seguimento ao trabalho que é feito ao longo de todo o ano através de instituições e associações da cidade, que asseguram, com o apoio do município, apoio médico, social, alimentação e alojamento.

O tempo frio vai continuar pelo menos até ao final da semana em especial nas regiões do interior norte e centro onde as temperaturas mínimas podem chegar aos seis graus negativos, segundo disse a meteorologista Maria João Frada.

Lisboa abre o metro

O Metropolitano de Lisboa anunciou que, em articulação com a autarquia, preparou um conjunto de medidas com vista ao cumprimento do Plano de Contingência para as pessoas em situação de sem-abrigo.

Serão abertas ao público as estações de Santa Apolónia (onde se poderá entrar pelo átrio superior), do Oriente (entrada no acesso oposto ao Centro Comercial Vasco da Gama) e do Rossio (através do acesso nascente).

Esta iniciativa articulada pressupõe triagem, higiene e tomada de refeições em instalações Municipais e locais de pernoita em vários locais, entre eles nas referidas estações do Metropolitano de Lisboa", refere o metro.

A autarquia, juntamente com a Cruz Vermelha, vai fornecer sacos de cama para a pernoita nas estações do metro indicadas que serão destinados às pessoas em situação de sem abrigo.

Leiria distribuiu cobertores e edredões às pessoas sem-abrigo

Cobertores e edredões foram entregues na terça-feira a pessoas em situação de sem-abrigo em Leiria e dois destes cidadãos foram alojadas numa pensão, na sequência do frio, foi anunciado.

Foram disponibilizados cobertores e edredões pelos Bombeiros Sapadores de Leiria, que foram entregues pela associação Inpulsar, e apenas duas pessoas demonstraram interesse numa estrutura para pernoita, pelo que foram alojadas numa pensão”, disse à agência Lusa a vereadora com o pelouro do Desenvolvimento Social.

De acordo com Ana Valentim, a mais recente atualização do número de pessoas sem-abrigo na cidade de Leiria é 16.

O número diminuiu devido ao projeto Morada Certa – Leiria Housing First”, explicou.

Em 16 de outubro de 2020, o Município de Leiria, a associação InPulsar e o Grupo Lusiaves assinaram um protocolo de colaboração do projeto Morada Certa - Leiria Housing First, para dar casa e apoio a todas as pessoas sem-abrigo na cidade.

Então, segundo a InPulsar, existiam 19 pessoas em Leiria na condição de sem-abrigo.

No caso das duas pessoas que preferiram ficar numa pensão, estas já não regressarão à rua, pois vão ser integradas neste programa”, declarou Ana Valentim, esclarecendo que se aguarda que o alojamento esteja disponível, o que deverá ocorrer até ao final deste mês.

A autarca adiantou que são sobretudo homens as pessoas em situação de sem-abrigo em Leiria.

Temíamos que o número aumentasse por causa da pandemia e do desemprego decorrente desta, mas o número está a diminuir devido àquele programa”, afirmou, referindo que os sem-abrigo “são acompanhados pelo Centro de Acolhimento de Leiria, Inpulsar e outras entidades da rede de parceiros coordenada pelo município”.

Para Ana Valentim, “é importante o contributo de todas estas entidades para se conseguir retirar estas pessoas da rua”.

A questão do alojamento é fundamental, mas há outras questões, nomeadamente da saúde, que exigem a atenção de outras entidades”, salientou a vereadora, destacando que estas pessoas “têm de ter um projeto de vida que não passa apenas pelo alojamento, mas também pela saúde e mercado de trabalho”.

Na sequência do protocolo com a Inpulsar e o Grupo Lusiaves, “a primeira pessoa a integrar o programa iniciou funções em dezembro no Município de Leiria, através de um programa do IEFP [Instituto do Emprego e Formação Profissional]”, referiu.

Segundo Ana Valentim, “esta pessoa tem um alojamento e tem um trabalho e está a correr muito bem”, acrescentando que o projeto Morada Certa – Leiria Housing First apoiou até agora outras quatro pessoas sem-abrigo.

Cáritas de Setúbal apoia 14 sem-abrigo e vai aumentar resposta para mais 20 pessoas

A Cáritas de Setúbal está a apoiar 14 sem-abrigo, mas, devido à vaga de frio, prevê aumentar a resposta para mais 20 pessoas, revelou Clara Vilhena, coordenadora do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo (NPISA).  

Estamos a apoiar 14 pessoas sem-abrigo, 12 homens e duas mulheres, no Centro Social São Francisco Xavier, mas esperamos ainda hoje aumentar a capacidade disponível para mais 20 pessoas, num salão da diocese de Setúbal, contíguo ao centro social onde é disponibilizada a resposta a pessoas sem-abrigo”, disse Clara Vilhena.

Segundo a coordenadora do NPISA, em Setúbal estão referenciadas pelo menos mais sete pessoas que vivem na rua, mas poucas se mostram disponíveis para pernoitar nas instalações do Centro Social São Francisco Xavier, porque não querem sujeitar-se a algumas regras e aos horários que têm de cumprir.

Por outro lado, acrescentou Clara Vilhena, “nem sempre é fácil detetar as pessoas sem-abrigo, porque algumas pernoitam em locais desconhecidos, em armazéns e casas devolutas, e nem sempre é possível localizá-las”.

Quando as equipas de rua estabelecem contacto com essas pessoas sem-abrigo durante as vagas de frio, algumas pedem-nos mais cobertores, mas dizem-nos logo que não estão interessadas em pernoitar nas nossas instalações”, sublinhou Clara Vilhena.

Equipas da Câmara Municipal de Setúbal têm também procurado localizar pessoas sem-abrigo nos locais onde estas costumam pernoitar, mas, até agora, sem sucesso.

Vamos continuar a fazer a monitorização desses e de outros locais para o eventual acompanhamento de pessoas sem-abrigo que sejam detetadas no concelho”, disse à agência Lusa fonte do gabinete da presidência da Câmara Municipal de Setúbal.

Câmara de Almada já apoia 25 sem-abrigo e frio não obrigou a medidas excecionais

A Câmara de Almada está a apoiar 25 sem-abrigo no Centro de Noite no Laranjeiro e não teve necessidade de adotar medidas excecionais devido ao tempo frio, revelou fonte do município.

Estamos a apoiar 25 pessoas e, até ao momento, não houve necessidade de aumentar a resposta devido ao tempo frio dos últimos dias”, disse à agência Lusa Mário Ávila, diretor de Desenvolvimento Social da Câmara Municipal de Almada (distrito de Setúbal).

 “Face à pandemia de covid-19, desde abril de 2020 que temos uma resposta noturna para as pessoas sem-abrigo, através do Centro de Noite instalado no Clube de Instrução e Recreio do Laranjeiro, além do apoio dado diariamente por várias equipas de rua”, acrescentou.

Segundo Mário Ávila, o apoio dado às pessoas sem-abrigo é multidisciplinar, inclui uma “refeição quente, banho, muda de roupa, apoio psicológico e de enfermagem, o que permite despistar várias patologias suscetíveis de afetarem pessoas que se encontrem nestas situações de grande fragilidade”.

“Desde abril já acompanhámos 72 pessoas sem-abrigo, muitas das quais já com respostas terapêuticas e em comunidades de acolhimento”, sublinhou o diretor do Desenvolvimento Social da Câmara de Almada.

 Mário Ávila referiu ainda que o município de Almada, não obstante estar a dar resposta aos casos já referenciados, tem capacidade para acolher de imediato mais seis sem-abrigo, num espaço disponibilizado para esse efeito no Quartel dos Bombeiros Voluntários de Almada.

Câmara de Évora ativa plano para apoiar sem-abrigo devido ao frio

A Câmara Municipal de Évora vai ativar na quinta-feira o plano de contingência para apoiar os cerca de 40 sem-abrigo existentes no concelho, devido ao tempo frio, disponibilizando abrigo e alimentação.

O Plano de Contingência para Pessoas Sem-Abrigo - Tempo Frio de Évora é ativado, pela Proteção Civil Municipal, sempre que existe “uma situação de risco”, ou seja, “quando as temperaturas mínimas são inferiores a um grau” num período “de dois dias”, explicou à agência Lusa o presidente da câmara, Carlos Pinto de Sá.

A medida vai ficar implementada, “em princípio, até terça-feira”, mas a sua duração pode ser antecipada ou prolongada de acordo com as previsões meteorológicas, mais precisamente “enquanto durar este tempo frio”, disse o autarca.

Neste concelho alentejano, de acordo com outra fonte do município contactada pela Lusa, estão identificadas atualmente “40 pessoas que não têm teto, nem casa”, pelo que são consideradas sem-abrigo.

Carlos Pinto de Sá indicou que a ativação do plano de contingência implica, “fundamentalmente, a disponibilização de um espaço”, que no caso de Évora é o Monte Alentejano, no Rossio de S. Brás, aberto aos sem-abrigo, onde poderão “pernoitar e tomar refeições”.

O Monte Alentejano vai estar aberto durante o dia e à noite, com condições para receber as pessoas que queiram pernoitar. Ninguém é obrigado, naturalmente, é apenas para os que aí se quiserem dirigir”, assinalou o autarca.

Com a ativação do plano de contingência por parte da câmara, é notificado “um conjunto de entidades”, como a Segurança Social, a Cruz Vermelha Portuguesa e associações de apoio aos sem-abrigo”, que depois se encarregam da “operacionalização do espaço de acolhimento”, acrescentou.

A decisão de dar “luz verde” a esta medida surge na sequência da informação sobre tempo frio que “chegou hoje” do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

/ AG