O custo do apoio social concedido pelas autarquias do Algarve mais dependentes do turismo 'disparou' devido à quebra na economia resultante da pandemia de covid-19, sobretudo nos três concelhos que concentram atualmente metade dos desempregados da região.

Segundo dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), Albufeira, Portimão e Loulé somavam em fevereiro 52% dos 33.459 desempregados inscritos na região, com os apoios criados pelas autarquias e dirigidos às empresas e famílias a terem um forte impacto nos seus orçamentos.

Em Albufeira, os apoios ao “arrendamento” à “alimentação” e “medicamentação” a pessoas mais carenciadas “aumentaram exponencialmente”, revelou à Lusa o presidente da autarquia, a que se somam, ainda, os apoios criados no âmbito da pandemia.

Somando tudo o que não se recebeu com aquilo que se despendeu para as ajudas todas, há uma redução de 17, 18 milhões de euros, num ano [no orçamento]”, apontou José Carlos Rolo.

Este valor acabou por afetar as finanças do município que concentra boa parte da oferta hoteleira do Algarve, o que pode adiar “algumas obras”, principalmente “na rede viária”, que terão de ficar às espera de “melhores dias”, assumiu.

O autarca manifestou esperança que neste verão, à semelhança do que aconteceu no ano passado, o “povo português rume ao Algarve, em particular para Albufeira” para passar as suas férias, assim como os “vizinhos espanhóis”.

Temos de ser esperançosos no futuro e acho que dentro de um mês temos os turistas a usufruir daquilo que é o bem do Algarve e de Albufeira”, sublinhou.

No entanto, caso a atual situação se mantenha, José Carlos Rolo defende que terão de se “tomar novamente opções” e não deixar que aconteçam “situações mais gravosas”, mantendo “os apoios sociais às pessoas realmente com necessidade”.

Aquele responsável aproveitou para fazer um “apelo” a quem possa estar a passar por necessidades para que não tenha “vergonha” de algo de que “não é responsável” e frisou que não se pode “deixar que haja gente com fome em Albufeira”.

Já o presidente da Câmara de Loulé quantificou em “10 milhões de euros” o impacto no orçamento camarário das medidas implementadas no âmbito do combate às consequências socioeconómicas da covid-19.

Vítor Aleixo revelou à Lusa que, até agora, a crise “mal ou bem, foi gerida com dificuldade” e que o dispositivo de apoio social do concelho, “apoiado na rede social das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), juntas de freguesia e entidades descentralizadas do Estado” fez uma gestão “aceitável” das necessidades.

A preocupação centra-se, agora, na “enorme incerteza” que os próximos meses podem trazer, justificado pelo “fim das moratórias para muitas famílias, em março, e das empresas, em setembro”, o que gera “muito insegurança e uma enorme preocupação” já que “tudo o que até agora tem sido gerível se pode complicar”, realçou.

O autarca avançou que a autarquia está a “preparar programas”, caso seja necessário “reforçar os apoios”, mesmo que para isso seja necessário “adiar investimentos municipais”.

Vítor Aleixo realçou, no entanto, que as obras públicas municipais são também um contributo “muito importante para a manutenção da atividade económica e para manter a empregabilidade”, defendendo que muitas pequenas empresas estão a “segurar os seus trabalhadores” com o investimento que muitas autarquias “mantêm em curso”.

Em relação ao futuro, a Câmara de Loulé irá “reagir em função daquela que for a situação, o comportamento da economia e dos índices de desemprego e das consequências que isso traz para as famílias do concelho”, conclui.

Com uma diferença pouco significativa relativamente a Loulé, Portimão ocupava, em fevereiro, o lugar de segundo concelho do Algarve com mais desempregados inscritos na região.

Questionada por escrito pela Lusa acerca do valor dos apoios sociais concedidos desde o início da pandemia, fonte do município de Portimão, presidido por Isilda Gomes, disse apenas que os apoios implementados e parte da verba não arrecadada com isenções totalizam quase seis milhões de euros.

Segundo disse à Lusa a delegada regional do Algarve do IEFP, Madalena Feu, dos 33.459 desempregados inscritos em fevereiro “20% estão no concelho de Albufeira”, correspondendo a 6.558 desempregados, “16% no concelho de Portimão”, com 5.291 desempregados, e “16% no de Loulé, mas ligeiramente inferior a Portimão”, com 5.269.

 Em “Faro 10%, Silves 8%, em Lagos 7% e Lagoa 6%”, acrescentou aquela responsável, acrescentou aquela responsável, referindo que os pesos dos restantes concelhos do distrito “são residuais”.

/ JGR