Dois professores morreram, depois de vencidos pelo cancro, sem direito a reforma antecipada por invalidez. As Juntas Médicas consideraram que estavam «aptos» para trabalhar, apesar da doença.

Não deram como provada a sua incapacidade, apesar de um dos professores ter ficado mudo após uma operação e a outro não ter força para segurar a colher da sopa.

Seja por falta de sensibilidade, falta de conhecimentos, falta de médicos ou ordens superiores para não haver reformas por invalidez. Nada disso interessa. Estes casos não podem acontecer e muito menos repetirem-se.

O cancro é por si só um inferno e acredito que quem padece desta doença dará graças por poder trabalhar. Porque o facto significará que venceu a batalha contra o monstro. Mas se alguns vencem, outros perdem. São estes últimos que merecem respeito, algum dignidade, alguma descanso e tempo junto dos seus.

Como se não bastasse a evidência destes erros, o responsável pelas juntas médicas da Caixa Geral de Aposentações, declarou a alguns órgãos de comunicação que tudo estava bem. «Todos os processos passaram pela minha mão» e sempre «concordei com a decisão: não estava totalmente incapaz para trabalhar».

Quem se responsabiliza? Quem nos garante que não volta a acontecer? E se fosse com um de nós? Com um pai, uma mãe um irmão?
Patrícia Pires