A GNR desmantelou esta terça-feira uma plantação de canábis de grandes dimensões, em Coruche, numa operação que envolveu mais de meia centena de militares. Três homens com idades compreendidas entre os 30 e os 37 anos foram detidos.

A operação levada a cabo pelo Núcleo de Investigação Criminal decorreu na sequência de uma investigação que durou três dias, onde a Guarda conseguiu localizar uma propriedade onde seriam produzidas centenas de plantas de canábis.

Através de um comunicado, as autoridades afirmam que “no seguimento das diligências policiais, foi dado cumprimento a um mandado de busca a essa propriedade onde a produção da droga era preparada, desde a germinação ao crescimento, secagem e acondicionamento para venda”, que culminou na apreensão de 459 plantas de canábis, em vários estádios de maturação, e cerca de 37.575 doses de canábis pronta para ser transportada e vendida ao consumidor.

Foram ainda apreendidas 48 doses de cocaína, quatro viaturas e diverso material relacionado com a plantação, germinação, secagem e venda de canábis.

Os detidos permanecem nas instalações Guarda até serem presentes a primeiro interrogatório judicial esta quinta-feira, no Tribunal Judicial de Santarém.

Laboratório de produção de canábis revelava "elevado conhecimento"

O laboratório de produção de canábis revelava “capacidade de organização” e “elevado conhecimento técnico” dos três indivíduos que foram detidos, disse esta quarta-feira o comandante Diogo Oliveira.

O comandante do destacamento territorial da GNR de Coruche afirmou à Lusa, no final de uma conferência de imprensa em que foi exposta “apenas uma amostra da quantidade de material” encontrada na propriedade, que a operação surgiu na sequência de uma fiscalização do cumprimento das regras decretadas devido à pandemia da covid-19, realizada na sexta-feira à noite.

Os militares “abordaram uma viatura que estava num local ermo, na qual se encontravam os três indivíduos que foram detidos, sem qualquer documentação e em violação da obrigação geral de recolhimento”, disse.

Acompanhados até à propriedade, os indivíduos, com idades entre os 30 e os 37 anos, mostraram a documentação para serem elaborados os autos de contraordenação e, enquanto se encontravam na propriedade, os militares, “além do forte odor a canábis, aperceberam-se de mais alguns indícios de que ali estaria localizado pelo menos um depósito ou uma instalação para a produção" do estupefaciente, acrescentou.

Destaca-se, sobretudo, a capacidade de organização e o elevado conhecimento técnico destes indivíduos, que tinham, dentro do anexo, as áreas bem definidas e cada área tinha um propósito na cadeia de produção, desde plantação, germinação, maturação da planta e, depois, do acondicionamento e transporte para venda ao consumidor”, afirmou.

Diogo Oliveira salientou também que, dadas as circunstâncias em que ocorreu, a investigação foi “muito curta”, não havendo ainda, “nesta fase, a perfeita noção de todo o funcionamento”.

O que conseguimos perceber, até ao momento, é que estes indivíduos já se dedicavam há uns largos meses a esta atividade ilícita, sem dúvida alguma”, afirmou, adiantando que está ainda a ser recolhido material e que prosseguem as diligências relacionadas com esta investigação.

Segundo o comandante, não é ainda possível conhecer qual era o destino do estupefaciente.

Daniela Rodrigues João Guerreiro Rodrigues / com Lusa - atualizada às 15:16