As crianças do Jardim Infantil de Giela, Arcos de Valdevez, regressaram na segunda-feira à escola e receberam um presente para se recordarem da necessidade de distanciamento social em tempo de pandemia.

O município entregou aos mais novos 380 chapéus com "hélices", que obrigam as crianças a manterem-se afastadas, pelo menos enquanto os tiverem colocados. 

A edilidade arcuense ofereceu às crianças do ensino pré-escolar, 380 chapéus intitulados 'Estamos de Volta'. Uma alegre “hélice” de 1.20m que funciona com uma sugestão amiga de afastamento; o kit é composto por 7 peças em polipropileno colorido e pode ser montado pelas próprias crianças, resultando num elemento de grande originalidade e cariz pedagógico", escreveu o município nas redes sociais, partilhando igualmente fotografias das crianças sentadas no recreio e na sala de aula usando os originais artefactos.

Ontem, conforme o previsto na terceira fase de desconfinamento, reabriu o pré-escolar, bem como centros comerciais (exceto na região de Lisboa), museus, ginásios ou salas de espetáculo.

De uma forma divertida, lúdica e didática, as crianças perceberem que, num momento em que o desconfinamento está a acontecer, o distanciamento social tem de continuar a existir. Não entre eles, nem pouco mais ou menos, mas entre as pessoas. Perceberem porque não podem visitar e dar um abraço aos avós, se não coabitarem diariamente com eles, por que razão, na rua, as pessoas que estão nas filas, têm de estar a uma distância segura", afirmou hoje à agência Lusa a vereadora da Educação da Câmara de Arcos de Valdevez.

Contactada a propósito da polémica gerada numa publicação na página oficial do município no Facebook sobre aquela atividade, acompanhada de fotografias das crianças com os chapéus com hélices, Emília Cerdeira explicou que "a ação foi desenvolvida pelo Exploratório de Coimbra, um clube de ciência viva que é também responsável pelos conteúdos das nossas oficinais de criatividade Himalaia, e que no caso pretendeu assinalar o Dia Mundial da Criança que, este ano, coincidiu com o regresso das crianças à escola".

A autarquia investiu cerca de 1.500 euros no material para que as crianças "construíssem o seu próprio chapéu, em contexto de sala de aula, com o apoio das educadoras, que acharam a ideia excelente e colaboraram no projeto".

Ao construírem os seus próprios chapéus, com a ajuda das educadoras, as crianças perceberam, de uma forma visual, qual é a distância segura a que devem estar as pessoas umas das outras", especificou.

Emília Cerdeira acrescentou que "todos os anos as crianças levam para casa uma recordação do Dia Mundial da Crianças, oferecida pela câmara e, este ano, não foi exceção".

O chapéu com hélices não é para usar na escola. Foi levado para casa, até para explicarem aos pais, tal como já aconteceu com outras temáticas como a reciclagem, a separação do lixo e ou a poupança da água, o porquê do afastamento social", sublinhou.

Para a vereadora da Educação o projeto cumpriu o objetivo para o qual foi concebido, levando que as crianças a "perceberem o lado positivo, daí os chapéus terem sido decorados com corações, estrelinhas e nuvens, e associaram o distanciamento social, fora da sala de aula, a uma regra que é necessária, mas que, se tudo correr bem, e toda a gente cumprir as normas, dentro de pouco tempo tudo vai ser colorido, tudo vai ser um arco-íris e tudo vai correr bem".

Sobre as críticas que a iniciativa recolheu na página oficial do município nas redes sociais disse: "Inicialmente não estava a conseguir perceber, mas depois, fazendo uma leitura mais profunda, acho que as pessoas ficaram com a sensação de que as crianças tiveram de usar o chapéu todo o dia, porque há fotografias dentro da sala de aula, com os chapéus. Isso não aconteceu", referiu

A responsável reforçou que os chapéus com hélices foram levados para casa "como lembrança do Dia Mundial da Crianças". O material utilizado na sua confeção, o polipropileno, "pode ser reutilizado".

Redação / Com Lusa - atualizada às 15:00