O Presidente da República anunciou que irá voltar em junho aos municípios afetados pelo incêndio de Pedrógão Grande e pede todos os "meios legais, administrativos e judiciais" para apurar questões ligadas à reconstrução e donativos.

Perante os dados que, entretanto, continuam a ser divulgados relativamente à matéria em causa, o Presidente da República reafirma tudo quanto disse e sublinha a necessidade de todos os meios legais, administrativos e judiciais para apurar o sucedido".

 

No texto, intitulado "Nota da Presidência da República sobre Pedrógão Grande", no site da Presidência, é referido, que, na passada quarta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa foi instado a pronunciar-se sobre uma reportagem televisiva – da TVI –, tendo enviado um esclarecimento a esse órgão de comunicação social que agora divulga publicamente.

A reportagem coordenada por Ana Leal revela que os bens doados na sequência do grande incêndio de junho de 2017 estão num espaço da Câmara Municipal de Pedrógão Grande e não foram entregues às vítimas.

Na nota de Belém, salienta-se que "o Presidente da República não teve nenhum contacto com o Presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande [Valdemar Alves] sobre esta matéria no último ano”.

Carece de qualquer fundamento a afirmação de que teria tido qualquer intervenção na conduta do aludido autarca nesse período de tempo”.

Mais: “Em coerência com a posição assumida aquando da tragédia de 2017, o Presidente da República tem estado atento às questões da reconstrução e distribuição de ajudas, públicas e privadas, bem como às iniciativas promovidas ou solicitadas a entidades oficiais, como o Ministério Público e a Provedoria de Justiça. É sensível às preocupações que lhe chegam por várias vias e aguarda o apuramento dos factos”.

Visita aos municípios afetados pelo incêndio 

O chefe de Estado tenciona, tal como fez no ano passado, “visitar os municípios afetados [pelo incêndio iniciado em Pedrógão Grande] em junho próximo”, considerando que tal “lhe permitirá ouvir as populações e os autarcas, sendo certo que com estes, intencionalmente, não manteve qualquer contacto por aguardar o aludido apuramento”.

Tendo em conta os generosos contributos dos portugueses para o processo de reconstrução [o processo deve caracterizar-se] pelo rigor, a transparência, a responsabilidade e a celeridade. [Foi o que o PR pediu] desde a primeira hora e recordou, nomeadamente, na passagem do primeiro aniversário da tragédia de Pedrógão Grande”.

Na sequência da reportagem da TVI, o presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, referiu que a autarquia se limitou a ceder espaços para acolher donativos para as vítimas dos incêndios e rejeitou suspeitas de favorecimento e açambarcamento das ofertas.

O presidente da Câmara disse que o município cedeu o antigo pavilhão gimnodesportivo da vila para a Cruz Vermelha depositar eletrodomésticos, desde frigoríficos a máquinas de lavar roupa e micro-ondas, que serão depois utilizados no apetrechamento das casas reconstruídas nos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera e Viseu, afetados pelo incêndio de junho de 2017, que causou 66 mortos e destruiu centenas de habitações.

A Cruz Vermelha Portuguesa sabia da condição dos donativos e reconehceu que os bens armazenados num espaço cedido pela Câmara Municipal de Pedrógão Grande destinam-se ao apetrechamento de casas reconstruídas, estando ainda 32 habitações em "processo de conclusão". Porém, ao mesmo tempo, desmentiu o autarca no que concerne à guarda dos mesmos, ao mesmo tempo que lhe deixou duras críticas.