Arnaud Beltrame morreu como herói em França, após se ter entregado como moeda de troca para a libertação dos reféns do ataque terrorista, da passada sexta-feira, em Trèbes, mas antes de morrer, já na cama de hospital, conseguiu concretizar um objetivo que tinha: casar com Marielle.

O polícia, de 45 anos, e a noiva Marielle Vandenbunder tinham o casamento pela Igreja planeado para junho, já que apenas eram casados pelo civil desde 27 de agosto de 2016. O ato heróico de Arnaud custou-lhe a vida, contudo não morreu sem casar, porque Marielle levou o padre Jean-Baptiste, que tinha preparado com o casal o casamento, até ao Hospital de Carcassone e este celebrou o matrimónio, aplicando também a Santa Unção ao polícia.

O padre chegou ao hospital pouco depois de Arnaud dar entrada e confidenciou nessa hora: "Rezo para que este casamento aconteça." Nesta altura, o desejo dele seria de que o polícia recuperasse e casasse na data já agendada. 

As horas passavam e não havia sinais de melhorias. Por isso, e numa altura em que Arnaud estava já inconsciente, o padre e Marielle decidiram avançar com o casamento.

"Só a fé pode explicar a loucura deste sacrifício, que hoje é admiração de todos. O Arnaud nunca terá filhos, mas o seu heroísmo inspirará muitos. Dei-lhe o sacramento do casamento e o da Santa Unção", disse o Padre Jean-Baptiste em declarações à imprensa francesa.

Arnaud casou na últimas horas de vida, depois de ter evitado uma tragédia maior no ataque terrorista ao supermercado e tendo sido decisivo para que Redouane Lakdim causasse ainda mais vítimas e fosse abatido.

Quatro pessoas morreram - incluindo Arnaud - neste ataque em Trèbes, que o Estado Islâmico viria a reivindicar posteriormente.

Luís Castro Martins