A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) está a fazer um diagnóstico dos problemas que afetam as mulheres que representam 10% do efetivo desta força policial, uma iniciativa que decorre no âmbito de um projeto europeu.

Para ouvir as mulheres polícia sobre as principais dificuldades que encontram ao longo da carreira, a ASPP/PSP promove uma reunião na sexta-feira, em Vila Real, em que participarão elementos dos vários comandos do país e o presidente da associação sindical, Paulo Rodrigues.

Cristiano Correia, coordenador do projeto a nível nacional, disse esta quinta-feira à agência Lusa que está a ser feito um diagnóstico em cada país que participa no “Equal Police: European police together toward the more egalitarian workplace" (Polícia europeia junta por um ambiente de trabalho mais igualitário) e adiantou que o relatório global final será apresentado a 10 de dezembro, em Roma, Itália.

A iniciativa é organizada pelo Sindicato Independente da Polícia da Andaluzia e junta a Confederação Espanhola de Polícia, a ASPP/PSP e organizações sindicais de Itália, Lituânia e Roménia.

Este projeto europeu quer fomentar a participação das mulheres nas forças de segurança”, afirmou Cristiano Correia.

O responsável elencou como “principal problema” o facto de as mulheres representarem “apenas 10% do efetivo policial”. Ou seja, do total de cerca de 20.000 polícias existentes em Portugal, à volta de 2.000 são mulheres.

Enquanto sindicato, olhamos para este número com alguma mágoa e preocupação porque achamos que devia haver um maior equilíbrio”, frisou.

Segundo o responsável, a percentagem é revelada no relatório social divulgado anualmente pela Polícia e “parece ter estagnado há muito tempo”.

Cristiano Correia apontou também uma “dificuldade em termos operacionais” para efetuar, por exemplo, as revistas às mulheres e cumprir as normas internas.

As mulheres suspeitas têm de ser revistadas por elementos femininos só que, às vezes, num turno à noite, nem sequer temos esses elementos femininos a trabalhar”, referiu.

O coordenador falou ainda nos equipamentos, considerando que este é um “problema transversal” para homens e mulheres, mas realçou que devia “haver equipamentos, como os coletes balísticos, adaptados e distribuídos individualmente” às operacionais.

Apontou que a nível de instalações, “apesar da melhoria gradual verificada nos últimos anos”, ainda há situações “que não têm as devidas condições e que não são próprias e adaptadas para as mulheres”.

Depois, em termos de direitos sociais e no caso concreto da maternidade, Cristiano Correia disse que há casos de agentes que se queixaram de “perda de vencimento” porque, “a determinada altura da gravidez, têm de sair do serviço operacional para ir para um serviço administrativo”.

Estas questões foram já, segundo o responsável, reportadas à direção nacional da PSP e ao Ministério da Administração Interna.

Cristiano Correia referiu que, devido à “falta de resultados”, a ASPP/PSP decidiu juntar-se ao projeto para que, a nível europeu, “sejam feitas recomendações” com vista “ao aumento da participação das mulheres nas forças policiais e à melhoria na carreira a das condições específicas” das operacionais.