Dois dos seis suspeitos do gangue das jantes, apanhados esta terça-feira pela Polícia de Segurança Pública, vão aguardar julgamento em prisão preventiva. Três dos suspeitos ficam com termo de identidade e residência e um outro fica obrigado a apresentações diárias às autoridades. 

Os alegados elementos do gangue, quatro homens e duas mulheres, são suspeitos dos crimes de associação criminosa, furto de veículo e interior de veículo, receptação e falsificação de viaturas. 

Os suspeitos pertencem ao famoso gangue, que, nos últimos meses, fez várias vítimas na área da Grande Lisboa, não só a furtar peças mas também carros completos.

Os elementos do grupo estavam a ser vigiados pelas equipas de investigação criminal da PSP de Sintra há mais de seis meses.

Em conferência de imprensa em Moscavide, no concelho de Loures, Catarina Franco, do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, explicou que se tratou de uma “megaoperação”, na qual foram detidas seis pessoas, com idades entre os 25 e 35 anos de idade, entre as quais o líder do grupo.

Segundo Daniel Costa, comissário da Divisão Policial de Sintra, que participou na operação, a investigação já durava há seis meses, tendo culminado na terça-feira após o cumprimento de 13 mandados de buscas domiciliárias e não domiciliárias.

Inicialmente o grupo furtava o interior e o exterior das viaturas, sobretudo jantes de automóveis, mas posteriormente começaram a furtar os veículos, com vista ao seu desmantelamento em peças ou à falsificação dos veículos para colocação novamente no mercado automóvel”, referiu Daniel Costa.

A TVI sabe que quatro dessas buscas foram em armazéns situados em Tomar e na Malveira, onde a polícia conseguiu recuperar parte do material furtado.

Segundo o comissário, as duas mulheres eram ajudantes do líder do grupo, “uma das quais através da criação de uma empresa fachada onde eram vendidas as peças, enquanto a outra ajudava no desmantelamento das viaturas”.

Daniel Costa avançou ainda não ser possível "precisar o número de pessoas lesadas”, adiantando, no entanto, que entre o material apreendido se encontram “mais de 100 carros furtados”, já que foram realizados “centenas de furtos ao longo de seis meses”.

De acordo com as autoridades, um dos pontos de seleção para os furtos tinha a ver com o facto de serem escolhidos veículos de gama alta, além do local onde estes se encontravam, e tendo em conta se era possível ou não realizar o furto.

A investigação apurou ainda que as peças quando eram furtadas já tinham sido encomendadas e que quando o grupo passou a furtar carros “foi para os falsificar e colocar em venda”, em Portugal.

A maior parte dos furtos prende-se com jantes, não sendo, para já, possível apurar o valor total que o grupo arrecadou.

O grupo atuou em vários zonas da Área Metropolitana de Lisboa, nomeadamente Lisboa, Amadora, Sintra, Malveira da Serra e Loures.

Os veículos eram desmantelados em oficinas que estavam alugadas em nome do líder do grupo, que tem 34 anos. As duas mulheres detidas não tinham antecedentes criminais, sendo que dois dos homens possuem antecedentes, um dos quais pelo mesmo tipo de crime.

De acordo com as autoridades, os detidos estão acusados de associação criminosa, furto de veículos e furto em veículo, bem como recetação.

As autoridades apreenderam 25 veículos, 48 centralinas, 23 motores, 54 bancos de viaturas, 33 volantes, 63 jantes, 38 chapas de matrículas referentes a veículos, cinco chassis de viaturas, além de diversos componentes e peças, como portas, capôs, vidros e diverso material de ferramentas utilizadas para uso mecânico.

Daniel Costa avançou ainda que, embora os furtos não se devam “a falhas das vítimas”, mas sim à “capacidade técnica do grupo para os fazer”, e aconselhou a população a verificar se as viaturas ficam trancadas quando estacionadas, que estas não sejam estacionadas em locais afastados das zonas residênciais. Alertou também para não serem deixados objetos de valor à vista.

Os detidos foram presentes ao Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Oeste – Sintra, na quarta-feira à tarde e hoje de manhã, sendo ainda desconhecidas as medidas de coação.

Apesar de terminada esta operação, a intendente Catarina Franco explicou que as investigações “ainda prosseguem”.