A população de Sines, no litoral alentejano, está alarmada com o aumento de cães vadios a vaguear pelas ruas da cidade, obrigando o município a criar um centro de recolha para tentar travar o fenómeno.

Existem várias matilhas que estão mais ou menos identificadas, algumas com cerca de 30 cães. Como as cadelas não são esterilizadas, de três em três meses surgem entre 20 e 30 cachorros”, explica à agência Lusa Alexandra Bento, presidente da 4 Patas, associação de defesa dos animais em Sines (distrito de Setúbal).

Juntamente com alguns voluntários e duas cuidadoras, a responsável dedica parte dos seus dias a tentar ajudar "os cerca de 180 cães de rua" contabilizados pela associação, que todos os anos gasta perto de 10 mil euros em clínicas e medicamentos para auxiliar os animais.

O nosso dia a dia passa por ajudar estes animais, resgatá-los quando estão feridos e tentar arranjar donos para os bebés. Muitas vezes não é possível, porque, a partir dos três ou quatro meses, já se sabem defender, tornando-se muito difícil o seu resgate”, conta.

Os animais “são alimentados diariamente por cuidadoras”, duas idosas, de 70 anos, que recebem os alimentos fornecidos pela associação para “os cães que se encontram junto a pequenos abrigos”.

Construídos pelas voluntárias, a maioria em cartão e paletes, os abrigos servem “para os proteger da chuva e do frio” e tornam-se em casas permanentes para as matilhas, que reconhecem as cuidadoras e toleram as suas visitas diárias em troca de comida e água.

Mas estes locais podem tornar-se num problema de saúde pública e, por isso, a responsável defende alterações ao nível da legislação para que “seja autorizada a esterilização das cadelas de rua” e para impedir que “as matilhas continuem a crescer”.

Sem um canil, os animais errantes juntam-se em grupos, em torno das grandes superfícies comerciais, em bairros, jardins e arredores da cidade e não passam despercebidos à maioria das pessoas, que temem ataques.

Há, por vezes, pessoas que são atacadas”, reconhece à Lusa o presidente da Câmara de Sines, Nuno Mascarenhas, alegando ter ‘herdado’ um problema que se arrasta há muitos anos, desde o encerramento do único canil que existia no concelho.

A agência Lusa solicitou junto das autoridades mais informações referentes a possíveis queixas de ataques de cães na via pública, mas sem sucesso.

Só este ano, foram recolhidos um total de 70 cães na cidade de Sines e “grande parte deles foram dados para adoção”, explica o presidente do município, que avançou este ano com a construção de um Centro de Recolha Oficial (CRO) de Animais com capacidade para 22 'boxes'.

A câmara tenta recolher os cães e encontrar locais em unidades privadas [hotel canino], pagando para deixar os animais, mas recentemente decidimos avançar com a obra do CRO, que prevemos estar concluída em 2020 para dar resposta a estas necessidades”, adianta o autarca.

Esta “resposta muito mais rápida” é aplaudida pela associação de defesa dos animais de Sines, mas “não chega” para “comportar o número de cães vadios que existem atualmente na cidade” e que, segundo Alexandra Bento, “tem vindo a agravar-se com o aumento do abandono de cães de companhia”.

A câmara resgata esses animais, que são os mais perigosos, porque não sabem andar na rua, para umas 'boxes' provisórias, que estão cheias. Por isso, a obra do CRO é bem-vinda, mas seria essencial não só para Sines como para todo o país que fosse permitido esterilizar as cadelas de rua ou que se avançasse com a construção de 'espaços matilha'", defende a responsável.

Segundo o presidente da câmara, o centro de recolha, num investimento de 197 mil euros, “será apenas uma zona de passagem” para um grande número destes animais de rua, uma vez que está prevista a construção de um canil intermunicipal para "minimizar este problema".

Os cinco municípios do litoral alentejano (Sines, Santiago do Cacém, Grândola, Alcácer do Sal e Odemira) decidiram construir um canil intermunicipal, em Santiago do Cacém, projeto que está numa fase bastante adiantada e que dará uma resposta suficiente para os problemas que temos tido nesta região”, diz.

/ HCL