O presidente da Câmara de Valongo anunciou esta segunda-feira que o trânsito circundante à empresa de gestão de resíduos Recivalongo, em Sobrado, vai começar a ser condicionado a partir desta semana e que os camiões vão ser fiscalizados pela GNR.

“A população pediu-nos para fazer um condicionamento de trânsito, face ao número de camiões que durante o dia e a noite circulam [junto do aterro]. Já esta semana, depois de cumpridos os trâmites legais, vão ser instalados os sinais e passa a haver um condicionamento, ou seja, os camiões que circulam, tem de se saber quem são, de onde são”, declarou à Lusa o presidente da Câmara de Valongo, José Manuel Ribeiro, à margem de uma iniciativa que o partido PAN realizou junto aquela estrutura.

Segundo o autarca de Valongo, que expressou publicamente estar contra a instalação de um aterro a 500 metros de distância de uma escola, a fiscalização dos camiões por parte das autoridades policiais e o condicionamento do trânsito arrancam ainda esta semana, embora não tenha precisado o dia em específico para o inicio das operações.

José Manuel Ribeiro assume, por outro lado, que ficou "chocado" com as "conclusões da Comissão de Acompanhamento" que foram conhecidas no final de fevereiro, classificando-as como "uma vergonha".

A Comissão de Acompanhamento vem dizer: meus senhores cumpram lá a lei, por favor. Eles andaram estes anos todos sem cumprir aquilo que estão obrigados a cumprir nas licenças. Isto é uma vergonha. Isto só tem uma palavra: é vergonhosos", disse José Manuel Ribeiro.

Em 2019, a Recivalongo foi alvo de ações “inspetivas”, das quais resultou a “identificação de incumprimentos que deram origem a autos de notícia, cujos processos de encontram em fase do direito de defesa por parte do operador”, explicou o Ministério do Ambiente e da Ação Climática (MAAC).

No passado dia 28 de fevereiro, a Comissão de Acompanhamento ao funcionamento do aterro de Valongo concluiu, após a quarta reunião, que estavam em cumprimento as três medidas determinadas a 18 de dezembro de 2019 que permitirão à Recivalongo manter-se em atividade.

O líder do PAN defendeu hoje, depois de auscultar a população que vive junto da Recivalongo, que as atividades daquela empresa de gestão de resíduos deveriam ser suspensas “no imediato”, porque há suspeitas de haver amianto a ser depositado sem o encapsulamento adequado.

Independentemente da necessidade de uma licença que esta atividade ou que este aterro possa ter, perceber que havendo eventuais irregularidades e havendo incumprimentos de lei, nomeadamente dos impactos ao nível dos odores e dos lixiviados e de resíduos industriais ou perigosos, que no caso do amianto estão a ser depositados sem o encapsulamento adequado e sem o isolamento adequado, estas atividades devem ser suspensas no imediato”, declarou à Lusa André Silva, que se deslocou hoje ao aterro de Valongo, com a deputada do PAN eleita pelo Porto, Bebiana Cunha.

Em declarações à Lusa, Diogo Pastor, engenheiro do Ambiente e secretário do movimento “Unidos pelo Fim do Aterro no Concelho de Valongo”, que se reuniu hoje com o líder do PAN, classificou de "estranho" que a Comissão de Acompanhamento saiba que haja amianto a ser depositado no aterro misturado com outros resíduos.

Segundo aquele engenheiro do Ambiente, a lei portuguesa diz que deve haver uma célula independente para o amianto, mas no aterro do Sobrado não há essa célula autónoma e, portanto, há uma ilegalidade" com "cobertura do Estado".

Em 2019, a Recivalongo foi alvo de ações “inspetivas” das quais resultou a “identificação de incumprimentos que deram origem a autos de notícia, cujos processos de encontram em fase do direito de defesa por parte do operador”, explicou o Ministério do Ambiente e da Ação Climática (MAAC).

A empresa de gestão de resíduos Recivalongo recebeu em 2018 resíduos de 365 empresas nacionais, que representam 87% do total de materiais depositados naquele aterro, sendo os restantes 13% dos resíduos com origem em países estrangeiros.

/ RL