A operação internacional OPSON, de combate à fraude alimentar, apreendeu 12.000 toneladas de produtos, tendo a Autoridade Tributária e Aduaneira recusado a importação de mais de 363 toneladas de produtos sem condições para consumo, informou esta segunda-feira. 

Segundo informação da Autoridade Tributária e Aduaneira, a operação de combate à fraude alimentar coordenada pela Europol e pela Interpol - que envolveu autoridades de 83 países entre dezembro do ano passado e junho deste ano - levou à apreensão de 12.000 toneladas de produtos alimentares ilegais ou potencialmente prejudiciais para os consumidores, avaliados em 28 milhões de euros.

Foram ainda desmantelados 19 grupos de crime organizado envolvidos em fraude alimentar e detidos 406 suspeitos.

Da participação da portuguesa Autoridade Tributária e Aduaneira, designadamente pelas alfândegas envolvidas na operação, e em colaboração com a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, foi reportada a recusa da importação de mais de 363 toneladas de produtos alimentares sem condições para o consumo humano de produtos como batata-doce, abóbora, frutas, peixe-congelado, chá e morango desidratado falsamente comercializado como de origem orgânica", lê-se na informação hoje divulgada.

Do total de 12 mil toneladas apreendidas a nível internacional, os alimentos para animais foram o produto mais apreendido (mais de 5.000 toneladas), seguidos por bebidas alcoólicas (mais de 2.000 toneladas), cereais, grãos e produtos derivados, café, chá e condimentos.

De açafrão foram apreendidos 90 quilogramas em Espanha e mais sete quilogramas na Bélgica, com um valor estimado de mais de 306 mil euros. As autoridades norte-americanas apreenderam ainda 147 quilos de sementes de alperce vendidas como cura para o cancro.

A Autoridade Tributária e Aduaneira indica que na edição deste ano foi constatada "uma tendência preocupante de infiltração de produtos alimentares de baixa qualidade no circuito de abastecimento", o que considera "um desenvolvimento possivelmente ligado à pandemia do Covid-19”.

Nesta 9.ª edição da OPSON foram realizadas ações para áreas específicas de prondutos alimentares, caso de produtos lácteos, em que participou Portugal e que levou à apreensão de 320 toneladas de leite e queijo sem condições para o consumo humano e 210 toneladas de queijo que não cumpria com as condições para a atribuição de denominação geográfica protegida.

Na área de azeite e óleo alimentar, em que também participou Portugal, foram apreendidas 149 toneladas de óleo de cozinha e 88 toneladas de azeite, na área de bebidas alcoólicas e vinho foram apreendidos 1,2 milhões de litros (ação em que Portugal também participou) e, por fim, houve uma ação direcionada a passaportes de cavalos e carne de cavalo (verificação de documentos de mais de 157.000 cavalos de oito países e cerca de 117 toneladas de carne, sendo que foram apreendidos animais vivos e mais de 17 toneladas de carne de cavalo em vários matadouros de Bélgica, Irlanda, Itália, Espanha e Holanda).

/ BC