O trânsito automóvel na zona da Baixa-Chiado, em Lisboa, passará a ser exclusivo para residentes, portadores de dístico e veículos autorizados, entre as 06:30 e as 00:00, a partir do verão, anunciou esta sexta-feira a autarquia.

Esta medida foi avançada pelo presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina (PS), numa sessão de apresentação da nova Zona de Emissões Reduzidas (ZER) Avenidas/Baixa-Chiado.

A partir de julho/agosto, será necessário um dístico para aceder a esta zona e, no caso dos residentes, estacionar à superfície.

O acesso ficará assim condicionado aos segmentos autorizados, com controlo de acessos, que funcionará todos os dias entre as 06:30 e as 00:00.

Neste horário não poderão circular veículos com mais de 7,5 toneladas, exceto pesados de passageiros autorizados, viaturas de higiene urbana e veículos de emergência.

Com exceção de veículos de residentes e de cidadãos com mobilidade reduzida, é também proibida a circulação de viaturas anteriores ao ano de 2000.

Os veículos das forças e serviços de segurança, de proteção civil e serviços em missão de urgência, veículos funerários em serviço, motociclos, ciclomotores e velocípedes não precisam de dístico.

Quando o projeto entrar em vigor, o acesso e estacionamento na via pública passará a ser permitido apenas a residentes, cuidadores e a veículos afetos ao Serviço Nacional de Saúde e a Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), desde que tenham dístico.

Fernando Medina utilizou o Twitter para explicar o que vai mudar nos acessos à Baixa de Lisboa.

Fernando Medina avançou ainda que comerciantes, detentores de avença de estacionamento e garagens, veículos elétricos e motociclos têm acesso garantido a esta zona.

Podem também entrar pessoas que transportem utentes para hospitais, crianças para escolas (pré-escolar ou 1.º ciclo), bem como táxis e convidados de residentes (num máximo de 10 convites por mês).

Os motoristas de transporte em veículos descaracterizados só podem aceder à ZER em veículos elétricos e a sua paragem só é permitida nas bolsas autorizadas.

As cargas e descargas, dentro desta ZER, a partir de 01 de junho de 2020, estão autorizadas apenas no período entre as 00:00 e as 06:30, nas bolsas existentes para o efeito.

Os acessos vão ser controlados eletronicamente, não havendo qualquer barreira física, acrescentou Medina, garantindo que será “um mecanismo eficaz no sentido de dissuasão das entradas”.

A ZER abrange parte das freguesias de Santa Maria Maior, Misericórdia e Santo António, sendo delimitada a norte pela Calçada da Glória, Praça dos Restauradores e Praça do Martim Moniz, e a sul pelo eixo formado pelo Cais do Sodré, Rua Ribeira das Naus, Praça do Comércio e Rua da Alfândega.

Esta zona de emissões reduzidas é delimitada a nascente pela Rua do Arco do Marquês de Alegrete, Rua da Madalena e Campo das Cebolas, e a poente pela Rua do Alecrim, Rua da Misericórdia, Rua Nova da Trindade e Rua de São Pedro de Alcântara.

Esta medida, sublinhou Fernando Medina, levará à “eliminação global de cerca de 250 lugares de estacionamento à superfície” e a um aumento, de cerca de 50%, dos “lugares destinados aos moradores e cuidadores de moradores dentro desta zona”.

A oferta da Carris também será reforçada, tanto no período diurno como noturno, e surgirá uma “nova carreira 100% elétrica” a ligar o Marquês de Pombal à Praça do Comércio, com frequências de três minutos, adiantou o presidente da Câmara.

A autarquia prevê a apresentação deste plano, durante o mês de fevereiro, às juntas de freguesia, associações de moradores e de comerciantes e à assembleia municipal.

Em março, o plano deverá ser aprovado e o regulamento enviado para um período de consulta pública.

A partir de 01 maio, os cidadãos podem efetuar o registo para a obtenção dos dísticos, em junho serão realizadas campanhas de informação, “prevendo-se a efetiva fiscalização e controlo de acesso entre julho e agosto”.

O presidente da Câmara classificou este projeto como um dos “mais marcantes deste mandato autárquico”, justificando a decisão com questões ambientais e realçando que contribuirá para uma redução significativa da poluição, com uma “poupança anual de cerca de 60 mil toneladas de dióxido de carbono”.

Nós precisamos mesmo de fazer esta intervenção (…) em prol de uma Baixa melhor”, sublinhou Fernando Medina.

/ CE-Atualizada às 18:43