A praia de Faro, no Algarve, foi esta terça-feira interdita a banhos balneares por terem sido detetados na água valores de coliformes fecais “muito superiores ao máximo permitido por lei”, disse à Lusa o comandante do Porto de Faro.

O resultado das análises microbiológicas da água de mar da colheita efetuada na segunda-feira revelaram valores muito acima do valor máximo permitido por lei, pelo que, em coordenação com a autoridade de saúde foram desaconselhados os banhos na praia de Faro”, indicou Nuno Cortes Lopes, Comandante da Capitania do Porto de Faro.

De acordo com o responsável da Autoridade Marítima Nacional, foi arreada a Bandeira Azul, símbolo de qualidade das águas balneares, e içada a bandeira vermelha, “que proíbe os banhos balneares”.

Nuno Cortes Lopes adiantou que a interdição dos banhos balneares “está restringida à praia de Faro”, sendo um situação pontual e que está a ser monitorizada em permanência pela ARH/Algarve (Administração da Região Hidrográfica), organismo integrado na Agência Portuguesa do Ambiente e pela Administração Regional de Saúde do Algarve.

Existe um acompanhamento permanente da qualidade das águas, tendo sido efetuadas hoje novas colheitas das águas, sendo os resultados apenas conhecidos amanhã [quarta-feira]e que determinarão se a interdição se manterá ou não”, sublinhou.

Nuno Cortes Lopes acrescentou que os valores máximos permitidos por lei referem-se à bactéria Escherichia Coli, vulgarmente conhecida por E.Coli, o que indica uma contaminação por elevada concentração de coliformes fecais.

São desconhecidas as causas que estão na origem desta concentração elevada de coliformes fecais, existindo várias possibilidades, uma das quais uma eventual descarga não tratada por parte de uma embarcação”, concluiu o responsável da Autoridade Marítima.

Ainda nesta terça-feira, o Instituto Ricardo Jorge revelou que uma praia em Angra do Heroísmo também apresentava níveis anormais de E. Coli nas águas. A praia açoriana continua aberta a banhos.

Saiba o que é a E. Coli

A E. Coli é uma bactéria que está genericamente presente nos intestinos de todos os seres humanos e animais. Geralmente é inofensiva, mas pode desenvolver estirpes nocivas para a saúde, o que é perigoso para grupos com sistema imunitário fraco, como é o caso das crianças, grávidas ou dos idosos. Quando contaminadas, as pessoas desenvolvem sintomas similares à gastroenterite, sobretudo diarreia.

A infeção por E. Coli é contraída através da ingestão de alimentos ou do contacto com animais feridos. No caso da praia de Faro pensa-se que a bactéria poderá estar na água.

Uma das complicações mais graves da infeção por E. Coli é o síndrome hemolítico urêmico, uma complicação grave para a saúde que se pode desenvolver em pacientes que sofrem de anemia hemolítica (causada pela quebra anormal de células vermelhas do sangue) e trombocitopenia (redução de plaquetas necessárias para a coagulação do sangue), levando a diarreia grave e sangrenta. Este problema está associado a insuficiência renal aguda grave, muitas vezes exigindo cuidados intensivos.

Além da diarreia, a E. Coli apresenta sintomas como náuseas e febre, que costumam surgir 6 a 36 horas depois da contaminação, segundo o hospital da CUF. A E. Coli é ainda uma das principais responsáveis por infeções no sistema urinário.

A estirpe nociva desta bactéria costuma criar-se quando existe uma contaminação fecal, neste caso da água do mar.