O ano que agora termina ficou marcado por crimes que chocaram o país e o mundo.

O primeiro caso aconteceu em janeiro. As autoridades norte-americanas resgataram 13 irmãos acorrentados na cave da casa dos pais, em Perris, na Califórnia.

Os pais, David Allen Turpin, de 57 anos, e Louise Anna Turpin, de 49, foram detidos pela polícia e foram formalmente acusados de 38 crimes. Em tribunal, declararam-se inocentes. O juiz emitiu uma ordem de proibição que os impede de terem qualquer tipo de contacto com os filhos, inclusivamente eletrónico, durante três anos. Dois meses depois de serem libertados, os 13 irmãos tiveram alta do hospital e vivem agora felizes, em liberdade, em três casas separadas em Riverside, na Califórnia.

Em Portugal, um homem que foi à Escola Básica e Secundária Amadeu Gaudêncio, na Nazaré, para tentar ver o filho mais novo acabou por esfaquear o ex-sogro quando se cruzaram no átrio. Está acusado da prática de um crime de homicídio qualificado, um crime de ofensa à integridade física qualificado e um crime de detenção de arma proibida. 

Em fevereiro, Nikolas Cruz cometeu aquele que foi o terceiro tiroteio mais mortal da história americana em escolas. No dia dos namorados, o antigo aluno entrou na secundária Marjory Stoneman Douglas, em Parkman, na Florida e disparou a matar. Matou 17 colegas e em tribunal manteve-se em silêncio. O casal que o acolheu depois da mãe morrer afirmou que não sabia que tinha pais adotivos "um monstro debaixo do teto".

Depois do terror voltar aos EUA, o terrorismo regressou a França por duas vezes este ano. Em março, com um ataque em Carcassone - que fez três vítimas mortais - e, em dezembro, com um ataque num mercado de Natal em Estrasburgo, com quatro vítimas mortais, e que reavivou a memória do terror em Berlim em 2016.

Ainda em março, o caso da família portuguesa encontrada morta em Inglaterra chocou o país. As autoridades encontraram o corpo da mulher dentro de casa, em Twickenham, um subúrbio a 18 quilómetros da capital inglesa. Já o homem e os dois filhos foram encontrados mortos junto a uma praia, a mais de 100 quilómetros.

Ter-se-á tratado de homicídio seguido de suicídio.

Em abril, o caso da mãe que matou a filha recém-nascida com a ajuda da irmã gémea chocou Portugal. A jovem, de 25 anos, mãe de gémeos de 20 meses, terá espetado uma faca no peito da bebé após o parto em casa, em Corroios, no Seixal. A recém-nascida foi encontrada num saco de plástico na cozinha.

A irmã gémea da mulher, que vivia na mesma casa, é suspeita de ser cúmplice do crime. Estão ambas detidas e enfrentam a possibilidade de pena máxima. São suspeitas de homicídio qualificado, ocultação e profanação de cadáver.

Um mês depois, um PSP reformado matou o vizinho à frente da filha da vítima. O crime aconteceu em Valejas, concelho de Oeiras, por causa de desavenças antigas que levaram o homem de 73 anos a disparar sobre o vizinho de 37. O homicida suicidou-se.

Suicídio foi um dos cenários que sempre foi descartado num dos crimes que mais chocou Portugal este ano. Em julho, o triatleta Luís Miguel Grilo desapareceu em Cachoeiras, perto de Vila Franca de Xira.

O alerta foi dado pela mulher, que dizia que o marido tinha desaparecido durante um treino. 

O corpo viria a ser encontrado em agosto, por um popular, num caminho de terra batida, em Alcôrrego. 

A mulher e o amante foram detidos em setembro e são suspeitos de terem matado o triatleta na sua casa. Segundo a PJ, Luís Grilo foi morto com um tiro na cabeça, e a arma de fogo já foi recuperada, bem como outros elementos de prova. Rosa Grilo e António Joaquim estão ambos em prisão preventiva.

Em outubro, um gangue no Porto saltou para as manchetes dos jornais depois de ter conseguido fugir do tribunal. O grupo, que se dedicava a assaltar idosos no Porto, conseguiu escapar de uma cela do Tribunal de Instrução Criminal do Porto, depois de o juiz de instrução lhes decretar prisão preventiva.

"Atuavam sempre com grande violência. Às vezes agrediam as vítimas, ao ponto de algumas necessitarem de hospitalização, outras vezes punham sacos na cabeça dos assaltados", revelou a Divisão de Investigação Criminal da PSP.

Os fugitivos eram considerados perigosos estiveram a monte mais de 24 horas. Acabaram por ser encontrados num parque de campismo em Gondomar. 

Em novembro, um militar foi detido por ser suspeito de matar outro soldado, em setembro, na unidade dos Comandos em Sintra. 

A vítima, Luís Teles, um militar de 23 anos, natural da Madeira, foi encontrado morto a 21 de setembro, na zona dos paióis, com um tiro de G3.

Foi o próprio suspeito a dar o alerta para a morte do colega

O ano terminou com uma agressão em plena via pública, em Alverca, que chocou o país. Uma mulher, grávida de nove meses, foi espancada na rua pelo marido. O homem, alcoolizado, foi travado por um PSP de folga. Foi detido, mas ficou em liberdade.