O juiz espanhol Baltasar Garzón disse este domingo que a «boa cooperaçã» e colaboração entre Espanha e Portugal impediu que a organização separatista basca ETA se fixasse em território português, um dos objectivos do grupo terrorista.

«Portugal foi um dos objectivos da ETA, desde há algum tempo. Muitas vezes como local de pausa ou de descanso das suas actividades», disse o juiz aos jornalistas, falando à margem do Estoril Film Festival, iniciativa na qual participou e onde foi homenageado por denunciar os abusos de poder contra os direitos humanos.

Mais recentemente, «a ETA pretendeu estabelecer uma base permanente em Portugal e depósitos de logística e de explosivos, na intenção de expandir o seu raio de acção e ser mais eficaz nas suas acções contra objectivos em Espanha ou fora de Espanha», apontou o juiz, que fez do combate às actividades da ETA uma das suas causas.

Hoje, o magistrado considerou que «era uma questão de tempo» que o grupo separatista tentasse fixar-se em Portugal.

«A sorte foi que, graças à boa cooperação e colaboração entre os dois países, esse início (de instalação) se frustrou e se isso não tivesse acontecido teria havido muita dor neste país e em Espanha», continuou o juiz, referindo que de momento «o risco foi travado».

Apesar de considerar que a ETA já não tem a força que tinha, Baltasar Garzón sublinhou que é necessário continuar a prestar atenção ao grupo basco.