Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, denunciou esta sexta-feira, na TVI24, a escassez de materiais de proteção individual com que os médicos se deparam, em plena pandemia de Covid-19. São já vários os casos de médicos contaminados pelo novo coronavírus.

Multiplicam-se as denuncias dos profissionais de saúde sobre falta de condições de trabalho nos hospitais. Para o bastonário, a falta de equipamentos de proteção individual é mesmo “uma das situações mais críticas”, neste momento.

Tenho recebido centenas de mensagens de médicos que estão a ter muita dificuldade em ter acesso a equipamentos de proteção individual. Obviamente que isto não acontece só com os médicos. Acontece com os médicos, enfermeiros, com os operacionais, com os farmacêuticos, enfim, com um conjunto de profissionais da saúde que, neste momento, deviam estar todos a trabalhar de forma protegida.”, revelou.

O bastonário relembrou que o Hospital de São João instituiu que toda a gente que circule dentro do hospital está obrigada a usar máscara, medida que considera fundamental.

Se as pessoas não estiverem protegidas, a probabilidade de ficarem infetadas é grande”, sublinhou.

Miguel Guimarães afirmou ainda que já há “um número muito significativo de profissionais de saúde infetados” pelo novo coronavírus. Esse número, insiste, só terá tendência a aumentar, caso os médicos não estejam devidamente protegidos.

Para isso, a única forma de “continuar a conter a infeção” é através do “isolamento social”. “O segredo para termos uma resposta positiva no combate ao vírus está em todos os cidadãos".

Nunca a cidadania foi tão posta à prova”, vincou.

Recorde-se que o número de infetados pelo novo coronavírus em Portugal subiu esta sexta-feira para 1.020, o que representa uma subida de 29.9% em relação ao dia anterior. Ao todo, foram registados 235 novos casos de infetados nas últimas 24 horas.

Os números divulgados pela Direção-Geral de Saúde dão registo seis mortos. Dois na região de Lisboa, dois mortos na região Centro, um morto no Norte e um morto no Algarve. 

Há 850 pessoas que aguardam os resultados das análises laboratoriais e há 9008 contactos sob vigilância das autoridades.