O bastonário da Ordem dos Médicos lamentou esta quinta-feira que a denúncia da Inspeção-Geral das Atividades de Saúde sobre baixas fraudulentas em 2011 só fale em «fortes indícios» e tenha sido disponibilizada aos media em primeiro lugar.

«Saudamos todas as inspeções que sejam realizadas sobre a atividade médica porque queremos que seja absolutamente transparente, mas não podemos julgar com base apenas em indícios», afirmou à Lusa o bastonário, José Manuel Silva.

Sublinhando que «a Ordem será a primeira interessada em que as decisões que levem à penalização desses médicos sejam o mais severas possível», o bastonário admite que a Inspeção-Geral de Atividades de Saúde (IGAS) possa estar a ser instrumentalizada.

«Não posso deixar de salientar que esse relatório, que já está na comunicação social, ainda não consta no site do IGAS e também não foi apresentado à Ordem dos Médicos. Isto faz-nos pensar, porque somos todos pessoas inteligentes, é que a IGAS está a ser instrumentalizada», defendeu.

Segundo o bastonário dos médicos, esta suspeita surgiu a partir do momento em que os médicos convocaram uma greve para 11 e 12 de julho e «começaram a aparecer notícias diariamente na comunicação social que visam descredibilizar a profissão médica, confundindo a parte com o todo».

Estes «indícios de campanha de descredibilização da classe médica apenas unirão ainda mais [os médicos] e apenas nos tornarão ainda mais determinados e empenhados na defesa do Serviço Nacional de Saúde, dos doentes e da qualidade da medicina portuguesa», garantiu.

O relatório do IGAS refere ainda que, entre as irregularidades detetadas, consta a existência de casos de substituição de medicamentos nas farmácias contra a vontade do médico prescritor.

Situações que José Manuel Silva diz já ter denunciado, escrevendo ao Infarmed e ao ministro da Saúde para exigir uma «auditoria rigorosa à dispensa de medicamentos nas farmácias».

«Temos fortes indícios de que a legislação não está a ser cumprida, nomeadamente na despensa de um dos cinco medicamentos mais baratos e queremos que essa auditoria seja tornada pública, que seja escrutinável e transparente», acrescenta à lusa.