Chamam-lhe a «geração perdida» e referem-se às centenas de jovens portugueses que saem do país à procura de uma vida melhor. O tema foi motivo de uma reportagem da BBC, que dá conta que um em cada dez licenciados portugueses está a «fugir» para as ex-colónias.

«Esta é a maior onda de emigração desde os anos 60», garantiu Filipa Pinho, do Observatório da Emigração.

Portugal é retratado como um país de emigrantes, mas a reportagem «Generation E» alerta que agora não são os operários e os aldeões a sair. São jovens qualificados que partem para o Brasil, Angola e Moçambique, sobretudo.

O número de emigrantes portugueses para os EUA também aumentou 6,3 por cento nos últimos dois anos, assim como para a Austrália (4,8 por cento) e ainda mais para o Canadá (16 por cento). No entanto, as ex-colónias trazem uma vantagem: a língua.

A BBC falou com dois portugueses: uma professora que vai agora emigrar e um empresário que já encontrou o sucesso em Angola.

Natália Santos, uma professora de 29 anos do Porto, relata que se candidatou a 362 escolas nos últimos seis anos. Nunca conseguiu trabalhar por mais de nove meses seguidos e o seu salário rondou sempre os 500 euros.

«Sinto-me muito frustrada e desiludida. Mas não vou desistir. Vou emigrar, não vou ficar à espera que Portugal me dê algo», afirmou à BBC, acrescentando: «Prefiro deixar tudo para trás - família, amigos e a minha cultura - do que pagar por um crise que eu não causei».

Já António Bagal, um empresário de 32 anos de Lisboa, é um caso de sucesso em Angola e dá emprego a mais jovens portugueses. «A maioria tem licenciaturas, mestrados, até doutoramentos. E a novidade é que muitos deles já nem querem voltar», contou.

Um engenheiro civil, em Portugal, ganha cerca de 900 euros em início de carreira. Segundo António Bagal, em Angola esse número pode quadruplicar. O empresário alerta ainda que o Brasil está a precisar de engenheiros e arquitectos devido à necessidade de infra-estruturas para o Mundial de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

A BBC chama-lhe a «fuga de cérebros» que procuram países que crescem a um ritmo alucinante em vez de se «perderem» num país que não lhes dá sequer uma oportunidade.
Redação / CP