TVI teve acesso ao relatório da Polícia Judiciária sobre o desaparecimento do bebé Noah, em Proença-a-Velha. O documento exclui qualquer indício de crime e leva ao encerramento da investigação. Cabe agora ao Ministério Pública a decisão sobre o arquivamento do caso.

As autoridades esclarecem ainda que "não houve qualquer responsabilidade, dolosa ou negligente, dos pais no desaparecimento do menino".

As diligências realizadas comprovam a veracidade dos discursos recolhidos", pode ler-se no relatório.

Para a investigação, os ferimentos apresentados pela criança são compatíveis com os possíveis locais por onde terá passado.

O estado de desidratação do menor era expectável perante o tempo que esteve desaparecido. A PJ acredita que é possível que Noah tenha "bebido água durante o percurso que fez, uma vez que cruzou linhas de água".

De acordo com o relatório, "andar descalço e nu não era um problema" para Noah e lembra que a mãe do menor havia informado que o bebé gostava "de caminhar na lama", o que explica as pegadas encontradas durante as operações de busca.

As autoridades realçam que "Noah é uma criança muito autónoma para a sua idade, pois vestia-se e despia-se sozinho. (...) Muito aventureiro, criativo, curioso, destemido, corajoso e muito ágil".

Em declarações à Polícia Judiciária, na altura dos factos, a mãe de Noah revelou que "apesar de destemido, [Noah] devia estar apavorado e estava convicta que não iria parar enquanto não encontrasse alguém, afirmando que ele estava em modo sobrevivência".

Noah foi encontrado no dia 17 de junho, às 19:35, por um casal que participava nas buscas. Estes voluntários optaram por fazer o percurso oposto ao da criança, tendo começado em Medelim ruma ao local onde foram encontradas as pegadas do menor.

Pelas 19:35, escutaram um ruído. Voltaram a chamar [por Noah] e de repente viram uma criança a caminhar na direção deles, todo nu. De imediato, reconheceram-no das fotografias que circulavam e não tiveram dúvidas que se tratava do Noah. (...) Tentaram acalmar o menino, falaram-lhe de pessoas que ele conhecia dando a entender que os pais estavam a chegar. A mulher abraçou-o, deu-lhe água e biscoitos. [A criança] bebeu muitos e comeu dois ou três biscoitos", diz o relatório.

A criança foi encaminhado para o Serviço de Urgência Pediátrica do Hospital de Castelo Branco, tendo tido alta três dias depois.

Nuno Mandeiro