O caso de alegada negligência médica que resultou no nascimento do bebé Rodrigo, que ficou conhecido como o bebé sem rosto, esteve em análise esta noite na TVI24.

Joana Simão, a irmã da mãe de Rodrigo, que nasceu sem nariz, olhos e parte do crânio, contou que em três ecografias realizadas o médico Artur Carvalho nunca detetou qualquer malformação no bebé e que, inclusive, desvalorizou as preocupações levantadas por outra equipa, que realizou uma ecografia 5D noutra clínica.

 O médico disse que não se via o nariz do Rodrigo porque estava encostado à barriga da mãe", contou, sublinhando que o médico voltou a garantir que estava tudo bem com Rodrigo.

Para o professor Luís Mendes da Graça, presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal, esta situação não pode ser encarada com normalidade, uma vez que considerou praticamente impossível que malformações desta natureza não sejam detetadas numa ecografia.

Não aceito que malformações desta natureza passem despercebidas", assumiu.

Do ponto de vista criminal, na sequência da abertura do inquérito por parte do Ministério Público, o advogado Manuel Nóbrega Correia explicou que os factos em causa não terão implicações criminais, uma vez que o crime não se enquadra na lei portuguesa, mas, a provar-se o erro médico, os pais terão sempre de ser indemnizados.

Do ponto de vista criminal não há nada a fazer" ao médico de Rodrigo, alertou.

Também os pais de Afonso, um bebé que morreu devido a problemas cardíacos, que também não foram detetados nas ecografias realizadas pelo médico Artur Carvalho, a mãe, Catarina Franco, contou que "as ecografias duravam cinco minutos", e o pai, Carlos, disse que foi acusado de mentir pelo médico, quando fez uma reclamação junto da Clínica Padre Cruz sobre o trabalho do especialista.